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Xiitas ganharam, pela terceira vez seguida, as eleições no Iraque

16.06.14

Para que possam todos compreender melhor o recente grande surgimento da al-Qaeda (agora, sob um diferente nome) no Iraque - com o aparecimento de um grande exército, muito bem equipado, que quase parece ter surgido do nada e que avança a passos largos, no que constitui uma aplicação árabe da táctica da "guerra-relâmpago" - é preciso ter em conta um aspecto mesmo muito importante, quanto à natureza étnica e religiosa deste país - e consequente natureza da sua classe política.
Desde a Invasão do Iraque, pelas tropas aliadas, em 2003 - e das primeiras eleições democráticas, que ocorreram neste país - que os sucessivos governos eleitos têm sido sempre liderados por grupos pertencentes à maioria xiita do Iraque (que existe na proporção de quase 2 para 1, relativamente à minoria sunita). Tendo as últimas eleições, que ocorreram há um mês e meio, marcado a terceira vez consecutiva que um grupo xiita recebe o maior número de votos para o parlamento, desde que uma Constituição foi aprovada. Xiitas esses, que (sabem as pessoas bem informadas) têm uma forte ligação ao (também xiita) vizinho regime iraniano, não alinhado com o Ocidente.
Ou seja... Desde que o Reino Unido e os EUA invadiram militarmente o Iraque, há 11 anos, que não conseguiu nunca o Império Britânico realmente instalar um regime-fantoche neste país, que faça tudo o que o Ocidente quer. Tendo, desde que foi criada uma Constituição, a situação política neste país sido a de um governo com uma forte ligação ao regime iraniano que tenta, dentro do possível, exercer a sua autonomia - e cada vez maior (real) independência - relativamente ao Ocidente.
Ora, falhada, pela terceira vez consecutiva, a tentativa de colocar, pela via democrática, um regime-fantoche no poder e, também muito importantemente, cada vez mais reduzida a sua presença militar neste território, vê o Ocidente as suas perspectivas de alguma vez conseguir dominar o Iraque serem mesmo muito reduzidas...
Sendo, então, aqui que entra o conhecido braço armado islâmico da CIA - de natureza sunita e fundamentalista - a <al-Qaeda>, para fazer o habitual trabalho de (parcial ou totalmente) derrubar regimes não alinhados com os EUA e seus amigos.
(Hipótese 1) Será o objectivo deste grande exército insurgente dominar o país inteiro?
Parece muito pouco provável. Pois, para além de ter uma maioria de população xiita como adversária, essa é uma maioria que nunca irá aceitar a imposição de um regime fundamentalista de uma vertente islâmica que não é a sua.
(Hipótese 2) Será, então, a intenção de tais rebeldes, deste supostamente "ex-"grupo-satélite da al-Qaeda, controlar a parte norte, sunita e árabe, deste país?
Parece ser o mais provável. Pois, para além de ser esta uma opção viável, apoderar-se-iam tais rebeldes (ou melhor dizendo, quem os controla) de uma grande parte dos campos petrolíferos deste país - tão importantes, num mundo em que o petróleo aparenta estar em declínio.

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colocado por Fernando Negro às 20:34


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