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05.03.19

Quase metade dos portugueses acredita que um grupo secreto governa o Mundo

Por ZAP - 26 Novembro, 2018

A maioria dos portugueses não confia nos governos, nem nos militares, jornalistas, sindicalistas ou líderes religiosos.

Portugal é o país onde menos se acredita em teorias da conspiração, muitas vezes difundidas através de notícias falsas, como as que negam, por exemplo, a importância das vacinas e a responsabilidade humana no aquecimento global ou as que veiculam sentimentos anti-imigração.


Esta é uma das conclusões de um estudo da Universidade de Cambridge realizado em oito países europeus e nos EUA. De acordo com os resultados do estudo “Conspiracy and Democracy”, do Centre for Research in the Arts, Social Sciences and Humanities e a YouGov Cambridge, só 10% dos portugueses defendem que os verdadeiros efeitos das vacinas estão a ser escondidos — em França, por exemplo, ultrapassa os 25%.

Em relação aos imigrantes, apenas 13% acreditam que o Governo esconde o número real de imigrantes no país — lá fora, a média é 28%.

Por outro lado, Portugal é o país onde mais se crê que existe um grupo que governa secretamente todo o Mundo – 42%, o dobro da média. 66% dos portugueses acredita que, apesar de vivermos em democracia, haverá sempre uma elite a mandar.

“É a correlação entre estas duas posições que surpreende”, conclui Hugo Leal, investigador que participou no estudo. “Por um lado, há razões histórico-sociais que justificam a crença de que o país não está nas mãos dos eleitos, mas nas mãos das elites. Por outro lado, não há condições sociais e políticas para a emergência de fenómenos de base nativista ou nacionalista que espalhem essa desinformação pela Internet.”

Os níveis de desconfiança nas instituições já vêm de trás. “A grande maioria dos portugueses está acostumada às elites. São sempre os mesmos a mandar”, afirma o historiador Manuel Loff, citado pelo Expresso.

Já Pedro Magalhães, politólogo, explica que o sentimento de desafeição política — “uma combinação entre a perceção de que quem tem poder não ouve o cidadão comum e de que se é pessoalmente impotente para mudar as coisas” — é já uma característica da cultura política nacional.

O que surpreende é que essa descrença na política não leve os portugueses a embarcar na desinformação que circula na Internet, à semelhança do que tem acontecido nos Estados Unidos, Brasil ou Reino Unido.

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colocado por Fernando Negro às 22:56


1 comentário

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De Fernando Negro a 08.03.2019 às 13:20

[E, é por isso mesmo é que, com medo da informação de denúncia (não controlada) que anda a circular, temos agora o governo português a fazer o seguinte.]

(https://www.dn.pt/poder/interior/fake-news-parlamento-aprova-resolucao-para-governo-adotar-medidas-contra-desinformacao--10650241.html)

Parlamento aprova resolução para Governo adotar medidas contra 'fake news'

PCP e PEV votaram contra, PSD absteve-se. Votos favoráveis do PS, CDS, BE e PAN fizeram passar a resolução

O parlamento aprovou esta quarta-feira, por maioria, um projeto de resolução do PS que recomenda ao Governo a adoção de medidas para a aplicação, em Portugal, do Plano Europeu de Ação contra a Desinformação

A resolução teve os votos contra do PCP e do PEV, a abstenção do PSD e os votos favoráveis do PS, CDS, BE e PAN.

A marcação foi feita pelo PS, que reservou hoje o debate parlamentar ao tema "Combate à desinformação - Em defesa da Democracia", associando um projeto de resolução que, não sendo uma lei, funciona como uma recomendação ao Governo.

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