Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Greve eterna aos professores!

03.07.18

greve_professores.jpg

Que só se preocupam em assegurar os seus postos de trabalho, neste imensamente estupidificante sistema de ensino - e que nada querem saber (por que razão não fazem greves a propósito disso?) sobre melhorar o mesmo (o que, para qualquer pessoa inteligente, deveria ser uma prioridade gritante) e que também nada fazem perante a notória redução da qualidade do mesmo.
A ser preciso uma tal figura, um "professor" só deverá ser necessário para os primeiros anos de escolaridade (talvez os primeiros 6 a 9?) para ajudar as crianças em causa a criarem os seus próprios hábitos de estudo. E, a partir de uma certa idade, qualquer criança que já saiba ler consegue estudar por si própria - lendo, para isso, os livros necessários em causa.
Se houver, ainda assim, alguma necessidade de orientação de, ou esclarecimento de dúvidas a, os mais novos, então que se crie a figura de um "orientador" ou "tutor", que apenas intervenha quando tal for necessário. Pois, fora disso, não há simplesmente necessidade alguma de ajudar alguém que já saiba ler a fazer algo de tão simples (incluindo consultar dicionários e enciclopédias, para tirar as dúvidas que tenha - o que, com a Internet então, é hoje em dia muito mais fácil do que nunca).
Eu tenho um antepassado meu que tirou o ensino secundário inteiro (e não só) sem ir a aulas algumas. E, já conheci pessoalmente quem tivesse também tirado um curso universitário inteiro (numa universidade pública de Lisboa) sem pôr os pés na faculdade (no que toca a aulas).
Eu próprio, em boa parte do meu ensino secundário, passava as aulas a que era obrigado a assistir a jogar à batalha naval (ou ao jogo do galo, com 16 quadrados e a 3 dimensões - por serem estes jogos que dava para jogar, de modo discreto, em papel) sem prestar atenção a (ou perceber nada de) o que era explicado no quadro de aulas de Matemática, por exemplo. E, depois simplesmente estudava por mim próprio a matéria em causa, através do respectivo livro, antes dos exames.
(E, não... Eu não chumbava às várias disciplinas por causa disso.)
Porque, a partir dos 15 anos de idade que me lembro, apercebi-me de que não precisava de ter assistido a aulas sobre a matéria escolar em causa para ser capaz de compreender e lidar com (pela primeira vez e por mim próprio) tais conhecimentos que tinha de adquirir.
Professores: Querem fazer alguma coisa de útil e que não passe pela domesticação das crianças ("agora sentem-se, agora levantem-se, agora sentem-se outra vez e oiçam-me falar durante mais 50 minutos - e, quando chegarem a casa, vão ter ainda de fazer este trabalho que eu vos vou dar") que têm de vos aturar e obedecer? Então, deixem tais crianças em paz e apareçam só (mas apareçam) para fazer exames - que é a única coisa de jeito que deverão ter para fazer. Pois, no que toca ao resto, claramente fazem mas é muita m**da (que está muito à vista de todos) ao restringir, cada vez mais, o conhecimento ao qual são as crianças expostas (em vez de permitirem a estas estudar o que bem entenderem e acharem necessário para a compreensão do mundo à sua volta).
Também, o usarem crianças e menores de idade como reféns (que, não tendo poder de voto, não são os culpados da actual situação política) nas vossas lutas de m**da (para assegurar a continuidade desta m**da de sistema de ensino) é simplesmente indecente.
Que se recusem grevistas a assegurar serviços a quem (por ser maior de idade e ter poder de voto) é directa ou indirectamente responsável pelo estado a que chegou a actual situação política, é uma coisa... Agora, recusarem-se a fazer exames a (e a deixar prosseguir) alunos que (ao contrário de vocês) irão, na sua maioria, fazer algo de útil e benéfico para a sociedade, com os cursos superiores que querem tirar, é mesmo muito indecente da vossa parte...
Greve eterna aos professores do Secundário e afins!

Autoria e outros dados (tags, etc)

colocado por Fernando Negro às 11:16


3 comentários

Imagem de perfil

De Fernando Negro a 26.07.2018 às 23:22

[continuação]

No entanto, a verdade é que o mundo urbano a Idade Média desaparece, ficando “muita coisa por explicar acerca da especificidade e da importância da época medieval no Ocidente europeu”, sustentou Bernardo Vasconcelos e Sousa.

No caso de as aprendizagens essenciais se tornarem uma espécie de documento único para o ensino, a história final ficará mesmo comprometida, concorda Ana Ribeiro, professora e coordenadora do mestrado em ensino de História do 3.º ciclo e secundário da Universidade de Coimbra.

“O professor pode e deve entender estes documentos como linhas orientadoras, podendo ir muito mais além, sob pena de a formação final se tornar uma manta de retalhos mais ou menos desconexa”, alerta a professora.

Temáticas relacionadas com a cultura e as artes são as áreas mais prejudicadas com estas aprendizagens essenciais, a par da “ténue presença das revoluções americana e francesa no contexto dos conteúdos do 11.º ano”.

Esta docente considera que nas aprendizagens essenciais existe uma “desvalorização clara das temáticas relacionadas com a cultura e artes ou, mais grave, a ténue presença das revoluções americana e francesa no contexto dos conteúdos do 11.º ano”.

Mas nem tudo é História e há também mudanças na disciplina de Português, obrigatória para todos os alunos do secundário. Estas alterações passam pela supressão das obras de Eça de Queirós que são referenciadas no programa (Os Maias ou Ilustre Casa de Ramires), deixando aos professores liberdade total para escolherem um romance deste autor.

“Muitos alunos podem simplesmente perder a única oportunidade das suas vidas de contactarem com o melhor romance da literatura portuguesa, Os Maias“, considera o professor da Universidade de Coimbra, Carlos Reis, apontando que esta medida será o resultado “ruinoso” de uma operação em que o aluno “negociará com o professor” o seu perfil de leitor.

Isabel Pires de Lima, professora da Universidade do Porto, defende ainda que Os Maias “é a obra-prima, a obra canónica por excelência do romance oitocentista português” e, como tal, “não deve ser evitada com argumentos que advêm da sistemática menorização dos estudantes e dos professores e do sistemático acomodamento a uma prática de ensino-aprendizagem que não insista no esforço, na dedicação e no trabalho necessários”.

O argumento de que “os alunos não leem” não entra na equação de Carlos Reis, que não aceita que “seja o Estado a fomentar a desistência (porque é disso que se trata, não sejamos hipócritas), sob a capa politicamente conveniente da concessão e autonomia às escolas, para que se façam, com tranquilidade, os tais ‘negócios'”.

comentar colocação