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Voluntários antifascistas espanhóis que lutam no leste da Ucrânia

30.09.14

(Apenas um de vários grupos de voluntários estrangeiros, constituídos por pessoas oriundas de toda a Europa - nos quais se incluem, obviamente, russos que querem defender o seu próprio povo - e que têm tido um papel determinante nas acções vitoriosas dos milicianos.)

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Viver a Utopia

17.08.13

O documentário de eleição da maior parte dos anarquistas... ;)
Melhor do que qualquer obra de ficção, ainda que muito baseada na realidade, não há nada como mostrar e contar os factos, tal como eles realmente aconteceram.
Copiando para aqui uma descrição no YouTube, que se pode encontrar numa versão legendada em inglês: "Considered a jewel amongst historians and rebel hearts, this documentary made in 1997 about the 1936 Spanish Revolution blends historical accounts of the development of the anarchist movement with first-hand testimonies."
Uma muito interessante colecção de descrições de muito importantes factos históricos e de belos testemunhos, da parte de quem tudo isto viveu, na Catalunha, há 75 anos - e que certamente muitos detractores do Anarquismo, gostariam um dia de apagar da História, enquanto continuam dizendo que este é algo utópico e inalcançável...

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colocado por Fernando Negro às 11:32

Há 75 anos, no vizinho Estado Espanhol...

29.07.13
(Um filme, que também só vi já depois de me ter "reformado" do activismo anarquista e que penso que possa ser interessante para algumas das pessoas que consultam este blogue - e que deixo aqui como sugestão para as férias em que sei que muitos estarão. A visualização do mesmo, talvez seja melhor que seja feita na sua versão original, em inglês. Embora o castelhano seja algo que a muitos possa despertar mais sentimentos.) ;)

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colocado por Fernando Negro às 10:26

E assim vão as coisas em Espanha

28.08.11
No início da década passada, já em plena Democracia, o governo PP, presidido por um neto de Aznar Zubigaray - último este, que escrevia discursos para o ditador fascista Francisco Franco - financiou repetidamente a fundação que tem o nome do ditador, presidida pela sua filha, María del Carmen Franco y Polo.
Filha essa que, aquando da morte do seu pai, recebeu, da parte do rei Juan Carlos I - nomeado pelo próprio ditador fascista como seu sucessor - um título criado em honra da sua família - o ducado de Franco - como forma de reconhecimento pelo grande contributo desta família para o Estado Espanhol, passando assim esta a figurar entre os Grandes de Espanha.
Por outras palavras... O actual chefe de Estado do mui nobre Estado Espanhol é um ditador hereditário, escolhido como digno sucessor do ditador fascista pelo último. E um dos principais partidos políticos, que repetidamente ocupa o poder, é um partido com claras simpatias pelo ditador fascista que governou este país de modo brutal e criminoso durante décadas.
Terá o Fascismo realmente acabado em Espanha? Ou continuam os seus adeptos a seguir os seus ideais, sob o disfarce da Democracia?

Com isto termino esta pequena série de colocações sobre a Guerra Civil Espanhola.

A começar no dia 1 de Setembro e a terminar no dia 11, irei então publicar, ao ritmo de um por dia, alguns extras sobre a mais conhecida série de atentados de bandeira falsa, da qual se assinala agora o 10º aniversário.

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colocado por Fernando Negro às 08:54

Mauthausen

20.08.11

A saga dos anarquistas e restantes combatentes antifascistas espanhóis não acabou com a sua derrota na Guerra Civil de Espanha.
Para além dos que escolheram ficar em território espanhol e que, durante décadas, foram praticando acções de guerrilha, refugiando-se nas várias zonas de vegetação densa deste território, foram muitos os que, tendo fugido para o sul de França, com o rebentar da Segunda Guerra Mundial, voltaram a pegar em armas, não só para combater os nazis e seus colaboracionistas franceses, como também para continuar a sua luta contra os fascistas espanhóis. Formando assim parte dos vários grupos de guerrilha da Resistência Francesa que operavam predominantemente no meio rural e constituindo também grupos de espanhóis apenas que agiam de modo independente.
De entre os antifascistas espanhóis que lutaram em França e que acabaram por ser capturados pelas autoridades francesas e alemãs e de entre a maioria destes que foi simplesmente transferida dos campos de concentração franceses onde se encontravam desde a sua fuga de Espanha, estima-se que mais de 90 por cento acabaram no complexo de campos de concentração de Mauthausen- -Gusen. Um dos mais conhecidos agrupamentos de campos de extermínio nazis, pelo qual passou, entre outras pessoas famosas, o conhecido caçador de nazis Simon Wiesenthal.
Chamados "Rotspanier" ("espanhóis vermelhos") pelos alemães e tendo nas suas roupas um símbolo azul em forma de triângulo, usado pelos prisioneiros de origem estrangeira, com um "S" para indicar a sua origem espanhola, estes chegaram a constituir de início a maioria dos prisioneiros do campo de Mauthausen que deu origem ao complexo, estimando-se que tenham passado por este conjunto de campos mais de 7 mil prisioneiros espanhóis, dos quais cerca de 5 mil lá morreram.
Junto a estes antifascistas de origem espanhola foram também parar alguns de outras nacionalidades, que ao lado destes tinham lutado em Espanha nas Brigadas Internacionais.
As condições deste campo eram simplesmente brutais... E quem quiser ter uma ideia de como as coisas eram, pode ver um muito bom, e algo perturbador, documentário intitulado KZ - O Campo de Concentração de Mauthausen, que foi há uns anos exibido na RTP 2 e que facilmente se encontra na Internet.
Mas outra coisa distingue este conjunto de campos de concentração nazis dos restantes, para além de ter sido aquele onde foi parar a esmagadora maioria dos combatentes antifascistas espanhóis. É que o principal campo do agrupamento - o campo de Mauthausen em si - foi o único campo no qual - aproveitando a desorientação das forças alemãs e o estado de semi-abandono em que este foi deixado, devidos ao avanço das forças aliadas - os seus prisioneiros tomaram o controlo do mesmo e conseguiram até repelir um ataque por parte das forças alemãs, encontrando-se este já sob o domínio dos seus prisioneiros aquando da chegada das forças libertadoras.
Um óbvio resultado da experiência organizativa dos combatentes antifascistas espanhóis e de outras nacionalidades e um muito inspirador exemplo de até onde pode ir o espírito de resistência humana, até mesmo nas mais horríveis condições de extermínio sistematizado.
A libertação deste campo foi registada numa fotografia, onde foi reconstituída a chegada das tropas americanas, no dia seguinte à real libertação.
A sempre resistente presença espanhola ficou assinalada na faixa que se pode ver pendurada sobre a entrada do campo.

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colocado por Fernando Negro às 07:44

A Guerra Civil Espanhola

06.08.11

Chamada de atenção para a existência de uma série documental de 6 episódios, produzida pela BBC e Granada TV, há já quase 30 anos, sobre este conflito, onde se podem ver filmagens do que aconteceu, assim como entrevistas a alguns dos participantes e pessoas que viveram este acontecimento, que na altura ainda eram vivas.
A série existe dobrada em castelhano e em inglês. E pode ser facilmente encontrada na Internet procurando por "Guerra Civil Espanhola, A (1983)" ou pelos termos "Spanish Civil War BBC documentary".
Talvez uma boa introdução para aqueles que ainda pouco ou nada sabem sobre que guerra foi esta, agora que se assinalam os 75 anos do seu início.

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Libertárias

21.07.11
Vi finalmente, só na semana passada - 10 anos após ter perdido a sua exibição na RTP 2 - o filme Libertarias, de 1996, co-escrito e realizado por Vicente Aranda.
A começar, o genérico inicial do filme é acompanhado por aquela que é simplesmente a mais bela interpretação que alguma vez ouvi do hino A Las Barricadas.
Pelo texto que é mostrado no início, e por não saber, na altura, que realizador é este, fiquei inicialmente na dúvida se seria mais uma tentativa por parte do "sistema" de tentar retratar o Anarquismo como algo utópico e inalcançável. Mas depois de ter visto o filme e de me ter informado sobre quem é este realizador, parece-me mais ser algo na mesma onda do filme Capitães de Abril, de Maria de Medeiros, em que se tenta retratar o assunto sob um ponto-de-vista romântico.
O filme centra-se claramente no que foram os aspectos mais belos e positivos da Revolução, não esquecendo, no entanto, também os mais negativos, que foram (algumas das coisas que ocorreram e com as quais discordo profundamente) a destruição de locais de culto e obras de arte cristãos e até o fuzilamento de elementos do clero. (O qual, note-se, também não era composto por nenhuns "santinhos" e que, como sempre, tomou o lado dos fascistas e apoiava os fuzilamentos de quem se limitava a defender um governo democraticamente eleito...)
Mas quanto à história em si, parece-me ser um filme interessante. Sobretudo pelo enfoque principal que faz no papel feminino na Revolução. Mostrando que o activismo, ao contrário do que infelizmente se vê muito hoje em dia, não é essencialmente uma coisa de homens. E que até nas acções que exigem mais coragem por parte de quem nelas toma parte, não só há lugar para as Mulheres, como há aquelas que queiram participar nessas mesmas acções.
Sobre a coragem feminina, há até, a dada altura, uma cena que me deixou com os olhos ligeiramente aguados, em que uma miliciana afirma:
"Não entendemos porque a Revolução tem de ocorrer a cargo de metade da população apenas. Somos anarquistas. Somos libertárias. Mas também somos mulheres e queremos fazer a nossa Revolução. Não queremos que nos façam eles. Não queremos que a luta se organize à medida do elemento masculino, porque se deixarmos que seja assim, estaremos, como sempre, f**idas. Queremos dar tiros para poder exigir a nossa parte na hora da partilha. E, sobretudo, queremos deixar bem claro que, nestes momentos, o coração não nos cabe no peito... E seria um desatino ficarmos em casa a fazer tricô. Queremos morrer. Mas queremos morrer como homens. Não viver como criadas."
Um dos vários retratos belos, do ideal libertário, que são feitos neste filme.
Mas mais bela ainda, foi, para mim, a cena final, que me fez chorar à brava. Penso que, por uma mistura entre a beleza do que é descrito, por simbolizar a morte da Revolução e por o ideal que nela é retratado, não só ser algo que nunca verei, como algo que a minha consciência fortemente sugere que está, cada vez mais, longe de alguma vez se tornar realidade...
Deixo-vos com o genérico de que falava, que é mostrado no início do filme.

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colocado por Fernando Negro às 16:42