Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Brasil no bom caminho, mas com sérios desafios à sua frente

21.05.15

desemprego_brasil_2014.jpg

 

[Nota: Esta colocação era para ter sido feita na altura em que foi publicado o primeiro seguinte artigo, de Fevereiro deste ano. E, a situação no Brasil já se começou a inverter. Mas, de qualquer modo, como "mais vale tarde do que nunca", aqui vai a mesma, com alguns meses de atraso...]

 

Com mais uma vitória do PT nas últimas eleições, pode o governo brasileiro seguir apostando seriamente numa lógica de desenvolvimento económico, com resultados bem visíveis - no que toca, por exemplo, a uma muito baixa taxa de desemprego, nunca vista neste país (e na zona do chamado "pleno emprego"). Mas, nem tudo deverão ser rosas, para o futuro da sua economia. E, para além das constantes tentativas de sabotagem ocidental, deste país emergente, ainda muitas coisas más deverão ocorrer, num país que faz parte de um mundo à beira de uma crise energética.
Seguem-se dois artigos traduzidos para português, que foram publicados pelo Movimento LaRouche.

 

Brasileiros se mobilizam para deter o golpe de Wall Street

27 de fevereiro de 2015 (EIRNS) - Patriotas de todas as áreas: políticos, cientistas, engenheiros, empresários, juristas e acadêmicos fizeram o primeiro dos muitos encontros planejados para estabelecer uma "Aliança para o Brasil em Defesa da Soberania Nacional", o 25 de fevereiro de 2015. Eles se encontraram no Clube de Engenharia, no Rio de Janeiro, para traçar a estratégia para defender a nação do desmembramento às mãos dos interesses financeiros estrangeiros.

O pretexto para o assalto financeiro é a corrupção descoberta na gigante estatal do petróleo, Petrobras - corrupção conduzida pelos mesmos interesses financeiros que agora pretendem não só se apoderar do petróleo brasileiro, mas derrubar o governo de Dilma Rousseff e tirar o Brasil de sua aliança com os BRICS, que ousa desafiar a criminosa operação internacional que Wall Street e a City de Londres chamam "um sistema financeiro".

"A Nação se defronta com um dos maiores desafios de sua história abalada que está por forças internas e externas que ameaçam os próprios alicerces de sua independência e de sua soberania", adverte a declaração do Clube de Engenharia aprovada na reunião. "A Petrobras é a espinha dorsal do desenvolvimento brasileiro. (...) É uma criadora e difusora de tecnologia, de investimentos e de produtividade que beneficiam toda a economia brasileira. (...) Tudo isso está em risco. E é para enfrentar esse risco que o movimento social e político que estamos organizando conclama uma mobilização nacional em favor da Petrobras."

Roberto Amaral, ex-ministro da Ciência e Tecnologia, foi bem claro sobre os desafios impostos: O país não sofre o risco de sofrer um golpe, disse; "o golpe já está em curso". O único meio de impedi-lo é pela união do povo brasileiro, falou.

Outros oradores traçaram paralelos entre a operação golpista que eles enfrentam e os ataques à Argentina e à Venezuela.

Em seu bravo discurso, Roberto Saturnino Braga, diretor-presidente do Centro Celso Furtado, disse que a soberania do Brasil está sendo ameaçada, "pelas medidas ousadas que teve a coragem de tomar", citando entre essas medidas o papel ativo nos BRICS e na criação de seu Novo Banco de Desenvolvimento como alternativa ao FMI.

A classe criminosa de Wall Street não está escondendo seus planos. Em 24 de fevereiro, a Moody’s rebaixou a nota da Petrobras, colocando-a como de risco para os investidores, e ameaçou declarar seus títulos como insolúveis. Fitch e Standard & Poor’s estão dispostas a segui-la, desencadeando uma enxurrada de prognostições interessadas de Wall Street (Bloomberg, Bank of America, etc.) sobre como a Petrobras deve vender pelo menos 20 bilhões de dólares de seus ativos e instalar as multinacionais em seus gigantescos campos de petróleo "off-shore".

No dia seguinte, o Financial Times publicou uma tresloucada história  em seu blog, "Além dos BRICS", com o subtítulo: "Brasil: 10 boas razões para pensar em como irá embora um governo com apenas dois meses", que afirma (prematuramente) "que existem boas razões para pensar que Dilma Rousseff, que começou seu segundo mandato em 1º de janeiro, talvez não resista por mais tempo".

 

***

 

Brasil Vota por um Futuro com os BRICS e a América do Sul

por Gretchen Small


1 de novembro, 2014 (EIR) - Os brasileiros infligiram uma forte derrota ao Império Britânico, ao reelegerem Dilma Rousseff como Presidente o 26 de outubro. Rousseff tornou claro, que sob a sua liderança, o Brasil irá continuar a sua participação ativa no avanço da nova arquitetura financeira e de segurança mundial que se forma em torno do agrupamento BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e da sua crescente lista de aliados.

A guerra dirigida por Londres contra o Brasil e os seus parceiros dos BRICS não foi esmagada, mas os resultados das eleições somam-se ao crescente reconhecimento no mundo de que o Império Britânico não é o imbatível Leviatã que nos quer fazer acreditar que é.

Londres e os seus apêndices de Wall Street tinham investido tudo em derrotar Rousseff, determinados em tirar o "B" dos BRICS e deste modo ganhar uma posição a partir da qual poderiam obliterar a rebelião mundial que se espalha contra o sistema globalizador genocida do Império.

A Economist e o Financial Times de Londres fizeram uma campanha feroz pelo afastamento de Dilma, tentando primeiro manobrar a agente da Coroa Britânica Marina Silva para a Presidência. (Isso requereu a remoção do candidato presidencial Eduardo Campos, que convenientemente morreu a meio da campanha num acidente aéreo ainda por explicar.) Quando Marina foi severamente derrotada na primeira volta das eleições o 5 de outubro, dinheiro e propaganda britânicos foram usados para apoiar Aécio Neves do Partido da Social Democracia (PSDB), para a volta final contra Dilma.

Neves fez campanha como o candidato do sistema bancário transatlântico. Prometeu impor novamente "ortodoxia económica" no Brasil, realinhar o país com o partido da guerra anglo-americano e virar-se contra os BRICS e a América do Sul - e foi derrotado.

Forças BRICS Celebram

Os brasileiros não foram tão burros ao ponto de prestar atenção aos apelos para saltar de volta para bordo do Titanic que se afunda, desde um barco salva-vidas dos BRICS que começa a tomar as dimensões de um porta-aviões. O Brasil tem aliados que se prepararam para o defender contra a guerra em marcha lançada pelo império moribundo, tal como foi experienciada pela vizinha do Brasil, a Argentina.

Conjuntamente com os parabéns de chefes de Estado sul-americanos em posições-chave que também lutam contra os poderes financeiros de modo a desenvolver as suas nações, tais como Cristina Fernández de Kirchner da Argentina e Evo Morales da Bolívia, a Presidente Rousseff recebeu calorosos parabéns dos líderes dos três gigantes do grupo BRICS: China, Rússia e Índia.

O Presidente chinês Xi Jinping recordou as suas discussões com Rousseff, nos vários fóruns bilaterais e multilaterais que tiveram lugar em torno da Cúpula dos BRICS em Fortaleza, Brasil no último mês de julho. A Presidente Rousseff e eu "decidimos unanimemente aprofundar a cooperação mutuamente benéfica e amigável entre a China e o Brasil em vários campos, e promover conjuntamente o desenvolvimento da ordem mundial para uma direção mais imparcial e mais racional", escreveu Xi.

Na sua mensagem de parabéns, O Presidente russo Vladimir Putin afirmou "a sua prontidão para continuar um diálogo construtivo e uma colaboração ativa para desenvolver uma maior cooperação bilateral em todas as áreas, assim como uma cooperação nos fóruns das Nações Unidas, G20, BRICS e outras estruturas multilaterais". Numa chamada telefónica pós-eleitoral, os dois líderes concordaram em encontrar-se novamente à margem da reunião dos G20 (dias 15 e 16 de novembro, em Brisbane, Austrália).

O Primeiro-Ministro indiano Narendra Modi disse que "anseia por continuar a trabalhar com Dilma para fortalecer as relações Índia-Brasil nos anos vindouros".

Desde dentro dos Estados Unidos da América, Lyndon LaRouche expressou o seu regozijo com a notícia da reeleição de Rousseff, assim que foi sabida. Mais cedo no dia da eleição, LaRouche tinha avisado que uma vitória do seu adversário, Neves, iria fazer o Brasil regressar à condição de colónia britânica e iria deste modo ser uma ameaça aos interesses dos próprios Estados Unidos da América, numa altura em que LaRouche lidera a luta para acabar com o controlo britânico e de Wall Street, sobre os Estados Unidos da América, para que possam estes, também, juntar-se aos BRICS no estabelecimento de uma ordem mundial de soberania nacional e de desenvolvimento.

Fúria Britânica

Frustrada por terem os eleitores brasileiros mais uma vez "derrotado inexplicavelmente" o seu sistema, a Economist de Londres previu no dia seguinte à eleição que o capital iria fugir dos mercados do país e que isso poderia ajudar a chantagear Rousseff para que adotasse as políticas de austeridade, "amigas do mercado" que os eleitores tinham acabado de derrotar nas eleições. A Economist apontou para o sucesso relativo de tal guerra financeira em amarrar a antigo Presidente brasileiro Lula da Silva durante a sua administração 2003-10, enquanto ameaçava que "de agora em diante, a viagem poderá apenas tornar-se mais difícil". Os "mercados" exigem que Dilma nomeie imediatamente um novo Ministro, ou uma nova Ministra, da Fazenda e que ele ou ela faça o que eles querem.

Os interesses endinheirados especulativos procederam à desvalorização da moeda do Brasil, o real, enquanto a bolsa de Bovespa caiu mais de 6% num dia, a dada altura, logo a seguir à eleição. Os britânicos insistem em castigar o Brasil por ter ganho, comentou LaRouche.

O 29 de outubro, três dias após a eleição, o Banco Central do Brasil aumentou as taxas de juro em 1/4 para 11,25%, o primeiro aumento desde Abril. A concessão não parou a pressão sobre o real.

De fato, nenhuma concessão será suficiente. A intenção é lançar uma "revolução colorida", afastar Rousseff e depois conduzir o Brasil ao caos e à ingovernabilidade, tais que as capacidades científicas e tecnológicas da nação possam ser finalmente desmanteladas.

Nunca subtil, a Economist intitulou o seu artigo pós-eleitoral na edição impressa de 1 de novembro, "Dilma Difícil de Morrer" ("Diehard Dilma"), uma manifestação típica do sadismo de escola pública britânico com insinuações de uma ameaça de morte implícita. "Se o seu segundo mandato não for uma desilusão ainda maior do que o primeiro", avisou a Economist, "A Sr.ª Rousseff precisa de prestar atenção não só aos seus partidários mas também àqueles que não votaram nela. Estes incluem muita da classe média, que em 2013 tomou as ruas em protestos massivos para exigir melhores serviços públicos e menos corrupção".

Até agora, a carne para canhão de tal "revolução" tem permanecido confinada a aspirantes a "revolucionários de caxemira", recrutados, em grande parte, das classes média e média-alta de São Paulo, sendo arrebanhados com gritos sobre "lutar contra o comunismo". Aquelas chamadas redes de mídia sociais estão a ser preparadas para apresentar uma aura de atividade que não existe. Organizadores das marchas de 1 de novembro em São Paulo e outras cidades para exigir a destituição de Rousseff e uma intervenção militar(!), hiperventilaram acerca de 100,000 comprometimentos na Internet em participar, mas não mais de 1,000-1,500 apareceram de fato nas ruas.

A histeria britânica de fomentar isto é tal, que a 30 de outubro, o PSDB de Neves entregou um pedido ilegítimo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para uma auditoria das eleições federais, quatro dias depois de ter aceite os resultados da eleição sem qualquer queixa sobre fraude. O pedido não apresenta provas, mas argumenta que a auditoria é necessária para restaurar a "confiança", porque um crescente número "do povo" questiona os resultados da eleição. Citada como prova dessa afirmação está uma petição na Internet que apela a Neves que rejeite os resultados da eleição; a petição reuniu um grande total de 60,000 assinaturas em dois dias.

Num país de mais de 200 milhões de pessoas, a ideia de que 60,000 assinaturas numa petição na Internet é uma força que compele a que se mande fazer uma recontagem, é ridícula. O que é ainda mais ridículo, é que a petição foi organizada pelo astrólogo mistura de subproduto da escola von Mises com "filósofo", Olavo de Carvalho, a quem LaRouche há muito tempo recomendou que fosse dado "o tratamento Pasteur contra a raiva", depois de ter este sugerido que a Rússia e a China estavam por trás do ataque de 11 de setembro ao World Trade Center em Nova Iorque. Juntando-se a Carvalho na petição está um toxicodependente brasileiro, estrela de rock pornográfica "Lobão" e outros dessa laia.

Este não é um movimento de massas e não tem bases para prosseguir, mas tem o objetivo de construir a base para a "revolução colorida" que a Economist, et al., insiste que seja posta em prática.

Dois Sistemas

Não tivessem os BRICS se afirmado este ano como um polo contrário, que se desenvolve por si próprio, ao sistema imperial britânico dominante, as esperanças da Economist de forçar o Brasil a capitular teriam sido provavelmente satisfeitas. Mas este não é o mesmo mundo que Lula enfrentou em 2002.

Dois desenvolvimentos durante a campanha, em particular, enfraqueceram a posição britânica.

Seis dias antes da volta final entre Rousseff e Neves, o jornal muito lido no país Jornal do Brasil, publicou um artigo reportando, com alguma extensão, sobre a avaliação da EIR, de que "O Que Está Estrategicamente em Causa na Eleição do Brasil" se resume à luta sobre se o Brasil irá arrancar economicamente como parte do renascimento global iniciado pelos BRICS, ou irá arruinar-se sob o sistema moribundo de Londres. (Ver o número do 15 de outubro; disponível em português no sítio na Internet em português da EIR).

O Jornal descreveu-o de forma certa, detalhando os assuntos cruciais levantados pela EIR, uma "revista americana conhecida por suas análises políticas": que Londres, tal como a EIR, vê a eleição brasileira como uma guerra, mas que os britânicos apoiam o candidato Aécio Neves e a sua aliada, Marina Silva, de modo a "subjugar o Brasil para impedir que o país e a América Latina sigam se desenvolvendo"; enquanto a EIR apoia a reeleição da Presidente Dilma Rousseff, porque em aliança com os BRICS, o Brasil pode "vencer mais de 25 anos de subjugação á ditadura financeira supranacional" e deste modo soltar as suas grandes capacidades científicas e industriais.

O Diário do Poder baseado em Brasília, lido pelos seus supostos "exclusivos com origem em fontes internas" e notícias sobre escândalos, publicou um editorial o 19 de outubro queixando-se de que círculos governamentais davam atenção ao apoio da EIR de LaRouche a Rousseff nesse artigo. No dia seguinte, o artigo do Jornal garantiu que a avaliação da EIR era muito lida pela classe política do Brasil.

Rousseff enfatizou a importância da participação do Brasil nos BRICS em várias aparições públicas na semana final de campanha. Num discurso perante um enorme comício em São Paulo o 20 de outubro, por exemplo, atacou Neves por conceber apenas "o Brasil pequeno" atrelado "aos grandes países. Querem entregar o Brasil. Querem voltar com a ALCA [Área de Livre Comércio das Américas], não querem os BRICS e são capazes de menosprezar o MERCOSUL" e a América Latina.

Os temas enfatizados pela campanha de Rousseff nas semanas finais da campanha fortaleceram o potencial do Brasil de adotar uma política de desenvolvimento nacional mais agressiva no segundo mandato de Rousseff. Ela disse aos brasileiros que eles estavam a escolher entre duas visões radicalmente opostas do que deve ser o Brasil no mundo: a visão do adversário dela de um Brasil subserviente a potências estrangeiras e interesses bancários, com baixos salários e alto desemprego e pobreza para a maioria do seu povo; ou um Brasil aliado com outras nações soberanas nos BRICS e nos agrupamentos regionais sul-americanos, UNASUL e MERCOSUL e o uso da banca pública para fortalecer a infraestrutura do país, a indústria nacional e os padrões de vida e habilitações.

Celso Amorim, antigamente Ministro das Relações Exteriores e atualmente Ministro da Defesa, elaborou sobre esta ideia num editorial aberto no portal Vermelho o 22 de outubro. Dilma Rousseff e o seu antecessor Lula da Silva, provaram que o país está "disposto a defender sua soberania e a integridade de uma ordem internacional baseada no Direito", contrariamente àqueles que justificam "comportamentos tímidos, pouco condizentes com as dimensões do país e as aspirações do nosso povo", escreveu ele. Ele listou as políticas deles de dar prioridade à unidade sul-americana; prestando especial atenção a África; trabalhando ativamente com os BRICS; e rejeitando provisões de livre-comércio que favoreciam as companhias farmacêuticas multinacionais, que limitariam o direito do Brasil de lidar adequadamente com a saúde pública. "O Estado brasileiro", escreveu ele, "deixou para trás a visão de um país 'periférico e desarmado' e assumiu plenamente a responsabilidade pela proteção de seus recursos e de sua população", usando o poder de compra do governo para favorecer a indústria nacional e investir em tecnologias nacionais.

A campanha dela descreveu o apoio da Economist a Neves pelo que este verdadeiramente vale, com o antigo Presidente Lula a rir-se dizendo da Economist: "essa revista é a mais importante do sistema financeiro internacional, dos bancos, dos achacadores que dizem que são de investidores, mas que são exploradores. Pois bem. Qual é a resposta que temos que dar? Que o Aécio é candidato dos banqueiros, ótimo. A Dilma é candidata do povo brasileiro."

O Brasil numa Encruzilhada

Para segurar o país, Rousseff terá de tomar ações dramáticas. Sem estas, a guerra financeira irá criar as condições sob as quais uma "revolução colorida" pode arrancar. Carlos Pastoriza, presidente da ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), numa entrevista dada a 27 de outubro ao jornal Zero Hora, apontou para um dos grandes problemas económicos subjacentes que o Brasil enfrenta:

O Brasil está ameaçado por uma "desindustrialização galopante. A nossa indústria de transformação está certamente na UTI. Este processo tem se agravado", disse ele. "A desindustrialização tem duplo efeito de mascaramento da realidade. Primeiro porque o Brasil tem taxa de desemprego muito baixa (menor que 6%) e, então, há a sensação falsa de que não há problemas graves. O segundo fato é que as empresas estão, silenciosamente, se tornando maquiladoras. E, passo seguinte, passam a somente ser distribuidoras de produtos fabricados em outros países. Nem o IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística] capta este fenômeno. (...) O Brasil está numa encruzilhada. O próximo governo precisa encontrar um rumo. Se isto não for feito, voltaremos ao Brasil colônia."

Tão cedo quanto o início dos anos 1990, a EIR tinha enfatizado que o caminho que o Brasil precisava de adotar era o do desenvolvimento das suas mais avançadas capacidades científicas e tecnológicas - especialmente nos setores nuclear e aeroespacial - conjuntamente com a sua vizinha Argentina. As duas nações juntas constituem uma espécie de "Eixo Produtivo" cuja ativação da alta tecnologia é a chave para o desenvolvimento de toda a América do Sul.

Em Fevereiro de 1993, a EIR escreveu: "O 'Eixo Produtivo' economicamente mais denso da Ibero-América é constituído pela área do sul do Brasil, passando pelo Uruguai até ao norte da Argentina. (...) Esta região possui a maior densidade económica, a maior concentração de mão-de-obra e potencial de capital capaz de facilitar as mais rápidas taxas de crescimento possíveis do poder laboral produtivo de todo o continente. (...)"

"O que torna isto possível não são tanto as densidades existentes (...) mas antes o potencial da região de gerar e absorver avanços tecnológicos - um potencial que se fundamenta acima de tudo na existência de um número significativo de cientistas e técnicos, particularmente na Argentina e no Brasil. Este é o recurso económico mais importante do continente: essa capacidade tecnológica e científica que é exatamente o que o Fundo Monetário Internacional e Wall Street querem destruir de qualquer modo. São estas capacidades, particularmente os programas nucleares e aeroespaciais da Argentina e do Brasil, que tornam possível transformar a Ibero-América numa superpotência económica."

Quase uma década depois, Lyndon e Helga LaRouche fizeram uma notória visita ao Brasil, entre 11 e 15 de junho de 2002, que estabeleceu um diálogo com círculos de liderança brasileiros sobre a direção que o Brasil e o mundo tinham de adotar (ver em baixo).

E agora hoje, pouco mais de uma década depois dessa visita histórica, o assunto é outra vez central para o Brasil - mas desta vez com poderosos aliados, no contexto da acção liderada pelos BRICS de substituir o sistema financeiro internacional falido por uma nova ordem mundial de soberania e desenvolvimento científico.


Visita de 2002 de LaRouche a São Paulo, Brasil

Lyndon e Helga LaRouche visitaram o Brasil entre 11 e 15 de junho de 2002, convidados pela Prefeitura de São Paulo, onde LaRouche foi homenageado com o título de Cidadania Honorária dessa cidade de mais de 18 milhões de pessoas, a terceira maior do mundo. Dirigindo-se a uma multidão de várias centenas que estiveram presentes na cerimónia, LaRouche disse que não havia maneira dos Estados Unidos da América saírem da crise de colapso, sem a fundação de uma comunidade de princípio entre as nações das Américas. O Brasil tem um particular papel a desempenhar em qualquer tal empreendimento, disse ele, como um dos poucos países no mundo que ainda retém algum grau significativo de soberania. Ele disse que esperava, com a vinda dele ao Brasil, abrir um tal diálogo com todas as nações das Américas.

LaRouche fez três discursos públicos durante a sua visita de uma semana, além do seu discurso dirigido à Prefeitura. Em cada um deles, ele avisou que não havia solução dentro do sistema financeiro internacional existente. Vocês têm de nos ajudar a substituir o sistema, disse ele às suas audiências brasileiras, porque ambas as nossas nações dirigem-se direito a um rebentamento.

Precisamos de uma Reforma Financeira Global

Num discurso o 13 de junho dirigido à Associação Comercial de São Paulo, LaRouche disse:

"Isto quer dizer que temos de pensar em vários termos: Primeiro, precisamos de uma reforma monetária/financeira global. O melhor modelo que temos é o sistema de 1945-64, não como um modelo perfeito, mas como um modelo político. Sob estes, temos de ter, deste modo, uma reorganização financeira em vários países. Precisamos de uma conferência monetária de emergência entre países preeminentes, usando os poderes de emergência de governo implícitos, para negociar imediatamente uma reforma geral e uma reorganização derivada das falências.

"Temos também, então, que tomar certas medidas em cada país e em acordos de tratados para fazer crescer a economia mundial. Isso quer dizer que precisamos um sistema protecionista, porque o que muitas pessoas não entendem, é a importância dos ciclos de capital. Os ciclos de capital duram normalmente 25 anos para o desenvolvimento de infraestrutura a longo prazo; 3-7 anos para um programa agrícola, mesmo para um agricultor individual; e para uma firma industrial, desenvolver uma linha de produtos podem tomar 7-15 anos.

"Por isso, temos que gerar uma enorme quantidade de investimento de capital. Como é que fazemos isso? Temos que criar um sistema de crédito, mas precisamos um sistema de crédito seguro. Não se podem ter comércio ou empréstimos internacionais acima de 1-2% de taxa de juro simples. Portanto, devemos ter uma taxa de câmbio fixa. Deveríamos provavelmente usar uma taxa de câmbio baseada em reservas de ouro.

"Então, temos que fazer certas mudanças em cada país. O caso do Brasil é óbvio. O Brasil tem definitivamente um potencial tremendo. Temos duas áreas: Temos as áreas económicas domésticas. Temos infraestrutura, a qual é primária. Os requisitos energéticos são imensos. O controlo e o desenvolvimento dos próprios recursos energéticos. É preciso um programa orientado para o desenvolvimento científico, de desenvolvimento económico e recuperação, que o Brasil já tem em algumas áreas, tal como na área da ciência médica, que é crucial, por exemplo, para África. É preciso ter então um sistema educativo que possa ser construído para produzir os quadros para esta expansão.

"Temos que dar também uma ênfase ao empreendedorismo. Nenhum contabilista, trabalhando como contabilista, pode fazer uma economia crescer. O crescimento vem dos princípios físicos; vem da ingenuidade do empreendedor. Vemos isto na Itália, vemos isto noutros sítios: O falhanço das grandes corporações revela o que sempre soubemos. Uma economia bem-sucedida tem sempre como base o empreendedorismo - são eles os inovadores."

Mantendo o Bem-Estar Comum

O 11 de junho de 2002, numa conferência patrocinada pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG) e pela EIR, que teve lugar no auditório do Parlamento Latino-Americano em São Paulo, LaRouche declarou:

"Primeiro que tudo, tem que se trazer um fator de estabilidade para a situação e se faz isso da melhor maneira através de medidas económicas, que têm como objetivo o bem-estar comum. Se se puder ir a uma população e convencer a população de que se vai agir efetivamente para manter o bem-estar comum, para que possam as pessoas viver em paz nos seus bairros, para que não tenham elas de lutar em lixeiras por comida e esse tipo de coisas, pode-se então estabelecer uma autoridade civil para governar. Tem-se um governo credível (...) dedicado à manutenção do bem-estar comum."

O 12 de junho de 2002, LaRouche disse num discurso dirigido à Prefeitura de São Paulo:

"Olhem para o Brasil: esta maravilhosamente grande, quase intocada terra selvagem, com algumas concentrações de desenvolvimento, mas com vastas áreas não desenvolvidas, simbolizadas pelo poder bruto do rio Amazonas. Se se olhar para a região da Amazónia desde o ponto-de-vista do grande cientista russo, Vernadsky, que criou os termos 'Biosfera' e 'Noosfera', tem-se uma noção do grande poder para o futuro, implícito no desenvolvimento disso, de uma maneira cientificamente sólida e racional. (...)

"Então, como é que se vai realizar o potencial do Brasil? Tem que haver fontes de energia em várias partes do país; tem que haver comunicações e transportes eficazes. Assim, a rentabilidade da firma, a produtividade da firma, numa parte do Brasil, não fica tipicamente baseada na produtividade interna ou finanças próprias dessa firma. Mas que é o 'ambiente artificial', que a nação crie sob a forma de infraestrutura, que a nação crie sob a forma de programas educativos, que a nação crie sob outras formas, que permita então ao povo do Brasil desenvolver as várias partes do continente para criar novas cidades, para criar novas indústrias, para transformar a região da Amazónia, para conquistar o cerrado com o seu grande potencial: Para alterar a natureza através da vontade humana, através do descobrimento."

Autoria e outros dados (tags, etc)

colocado por Fernando Negro às 20:06

Preparem-se para mais uma tentativa de "revolução colorida"

01.11.14

(Repararam em como, após os resultados das eleições no Brasil, os comentadores na imprensa portuguesa começaram logo com afirmações do tipo "temos agora um país dividido" e afins? Como se, numa Democracia, dependendo do tamanho da diferença de resultados, o normal ou que fosse esperado, em certos casos, fosse que as pessoas não aceitassem a vontade da maioria? Ao que parece, o que está planeado para o Brasil é o mesmo que tem vindo a ocorrer na Venezuela. Lembrem-se de que as tentativas de sabotagem da Copa do Mundo de futebol tiveram, claramente, grupos controlados por trás. E, lembrem-se também de que o Brasil irá ser ainda o anfitrião de um outro grande e muito importante evento desportivo internacional.)

 

Brasileiros Votam por um Futuro Soberano Dentro dos BRICS; Reelegem Dilma Rousseff Presidente

26 de Outubro de 2014 (SNEIR) - A reeleição de Dilma Rousseff como Presidente do Brasil hoje derrotou a tentativa do Império Britânico de tirar o Brasil dos BRICS e dos projectos de integração sul-americanos, através da eleição do seu adversário, Aécio Neves. Dilma ganhou 51,6% dos votos, contra os 48,4% de Aécio.

O estadista estadunidense Lyndon LaRouche avisou mais cedo neste dia que uma vitória de Neves iria tornar o Brasil novamente numa colónia britânica e era uma ameaça para os reais interesses dos Estados Unidos da América. Ele regozijou-se com as notícias da reeleição de Rousseff.

A votação é uma derrota de tudo o que é representado pelo sistema transatlântico. A Economist e o Financial Times de Londres fizeram vigorosamente campanha por Aécio. Neves prometeu impor novamente a ortodoxia económica no Brasil, realinhar o Brasil com o partido da guerra anglo-americano e virar-se contra os BRICS e a América do Sul e nomear o especulador de fundos de cobertura Armínio Fraga como seu futuro Ministro da Fazenda, para provar a sua seriedade. Os bancos e os fundos de cobertura de Londres e Wall Street, e os seus lacaios brasileiros, praticaram guerra financeira, de cada vez que o seu rapaz caiu nas sondagens.

Rousseff recebeu bem os ataques a ela dirigidos pelos banqueiros e insistiu que o Brasil não deve voltar ao neoliberalismo que o tinha destruído no passado e que hoje em dia está a destruir a Europa. O futuro jaz na nova ordem mundial que está a ser forjada pelos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), de nações soberanas comprometidas em elevar os padrões de vida e em desenvolver as indústrias nacionais, argumentou ela.

A maioria dos brasileiros rejeitou a insistência britânica de que deixem o barco salva-vidas dos BRICS para saltar de volta para bordo do Titanic transatlântico!

O Plano A britânico nas eleições de elejer a querida da WWF Marina Silva como Presidente, foi enviado para uma derrota esmagadora na primeira volta das eleições. Com o seu Plano B agora também derrotado, iniciou-se já a discussão do Plano C: criar uma situação de total polarização e ingovernabilidade, tal que possam lançar uma "revolução colorida" nos próximos meses, com a Economist de Londres já a criar a propaganda para lançar os "revolucionários de caxemira" de São Paulo como líderes. Tal como escreveu o New York Times no dia anterior às eleições: "Quem quer que ganhe no Domingo irá enfrentar o desafio de governar num sistema político no qual presidentes têm de forjar alianças com um conjunto de diferentes partidos, incluindo alguns com aguçadamente diferentes ideologias. Não é esperado que a crescente tensão política no país torne este processo mais fácil".

Autoria e outros dados (tags, etc)

colocado por Fernando Negro às 12:50

3,28% que fazem toda a diferença

28.10.14

dilma-elizabeth.png

 

dilmais.png

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

colocado por Fernando Negro às 11:32

A grande importância que têm as eleições brasileiras, também para o bloco BRICS e todas as economias emergentes latino-americanas

24.10.14

BRICS_2014.png

(Mais do que ser já a 7ª maior economia do Mundo, o Brasil é uma peça fundamental no grande desenvolvimento que está a ocorrer em todo o bloco BRICS e também em vários países da América Latina que a este bloco escolheram se associar. Sendo, obviamente, por isso que está este muito promissor país a ser um tão grande alvo de tentativas de controlo e sabotagem, por parte do Ocidente, que não quer ver países que se lhe oponham a erguer-se e a formar laços de união entre eles...)

 

O Que Está Estrategicamente em Causa nas Eleições Presidenciais do Brasil

por Gretchen Small [Executive Intelligence Review]


14 de Outubro - O Financial Times emitiu um claro aviso no dia 10 de Outubro ao candidato de Londres a Presidente do Brasil, Aécio Neves do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Neves e a sua equipa não deverão "desapontar" Londres na volta final das eleições presidenciais brasileiras no dia 26 de Outubro, avisou o FT: "Afinal de contas, isto não é apenas um debate económico cordial: é guerra - a batalha final pelo controlo do segundo maior mercado emergente do mundo e das vidas de mais de 200 milhões de pessoas".

A EIR concorda, neste caso, com o FT: as eleições presidenciais do Brasil de 2014 são uma batalha estratégica na guerra global sobre se a humanidade irá ser bem-sucedida em esmagar o Império Britânico e em criar uma ordem mundial verdadeiramente humana, dedicada à paz e ao progresso de todos.

A política editorial da EIR difere em 180º da do FT, contudo, quando toca a que candidato deve ganhar a eleição. A EIR apoia a reeleição da Presidente Dilma Rousseff, a opositora de Neves na corrida.

Quaisquer que tenham sido os seus defeitos, passados e presentes, que a EIR apontou devidamente ao longo dos anos, a Presidente Rousseff colocou decisivamente o Brasil no mesmo grupo que a metade da humanidade que se ergueu para defender a causa da humanidade. Sob a sua liderança, o Brasil tem tido e está comprometido em ter um papel activo no renascimento global que se está a formar em torno do agrupamento BRICS dos Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, assim como nos esforços do MERCOSUL e da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) agora aliados com os BRICS e, em particular, na corajosa defesa da Argentina contra os "fundos abutres".

Como parte dessa dinâmica dos BRICS, o Brasil está em condições de se livrar de mais de 25 anos de subjugação a uma ditadura financeira supranacional, reagrupar as suas significativas capacidades científicas e industriais nucleares e espaciais e iniciar o rápido aumento da produtividade necessário para elevar os padrões de vida e as qualificações dos seus muitos milhões de pessoas ainda a viver na pobreza e numa situação de atraso.

Londres, por seu lado, está determinada - ao ponto de chegar a uma "guerra", como diz - em instalar um governo comprometido em tirar o "B" dos BRICS, tornando um Brasil novamente subjugado num instrumento para esmagar os BRICS e a explosão de desenvolvimento sul-americano associado que está em marcha. Caso seja Londres bem-sucedida, e reimponha as políticas económicas transatlânticas no Brasil, o próprio Brasil irá rapidamente desintegrar-se.

Londres Não Detém Todas as Cartas

Foi já precisa a morte de um candidato presidencial para criar o potencial de sucesso nesta operação britânica. A sua candidata de primeira escolha para tirar o "B" dos BRICS na primeira volta das eleições, foi a querida da Coroa Britânica, Marina Silva, que somente se tornou uma candidata presidencial em meados de Agosto, erguendo-se das cinzas do acidente aéreo ainda por explicar que matou o candidato presidencial do Partido Socialista (PSB) Eduardo Campos. Até então, Marina tinha sido a candidata vice-presidencial de Campos na corrida.

Londres e Wall Street fizeram desenvergonhadamente campanha por Marina, tal como ela é conhecida, pintando-a como uma "Obama" brasileira, a "candidata do povo" pelo seu apoio à abortada tentativa em 2013 de lançar uma "revolução colorida" no Brasil. Pró-alta finança, anti-Estado, virulentamente anticrescimento, anti-China, apoiada por vários "multimilionários verdes" brasileiros, Marina foi aclamada como a candidata que podia pôr um rosto "popular" no pacote de Londres.

Em 2010, a EIR denunciou Marina como uma operação da Coroa Britânica, um facto ostentado em 2008, quando o Príncipe Filipe a condecorou pessoalmente com a Medalha de Conservação do Duque de Edimburgo, pelo seu trabalho durante o seu mandato de Ministra do Meio Ambiente (2003-08) em bloquear projectos-chave hidroeléctricos e em ceder o controlo de enormes porções de território amazónico brasileiro à WWF de Filipe e outros interesses privados verdes.

"A Marina sempre teve boas relações com as casas reais da Europa e a aristocracia europeia. Nós não podemos decidir quem a Família Real vai convidar", afirmou de modo seco o Ministro dos Desportos brasileiro, Aldo Rebelo, quando Marina foi convidada para ser uma portadora da tocha nas Olimpíadas de Londres de 2012.

Para o desagrado de Londres, os eleitores brasileiros tiraram Marina da corrida na primeira volta das eleições a 5 de Outubro, colocando-a num distante terceiro lugar com apenas 21% dos votos. A incumbente Rousseff ganhou 41%, com o fantoche dos Rothschild, Aécio Neves, a ficar em segundo com 34%.

Acabando com a Heroína Financeira?

Mais perigoso aos olhos de Londres, foi que Dilma escolheu lutar contra e derrotar Marina com o fundamento de que a banca pública deve ser defendida contra o sistema bancário imperial dentro do Brasil, através do qual a monarquia britânica tem há muito estropiado o país através de taxas de juro usurárias que alimentaram o carry trade internacional que pilhou o Brasil.

Marina, em prol dos seus patrocinadores banqueiros criminosos (a sua mais próxima conselheira, a multimilionária "Neca" Setúbal, é a herdeira da família que detém o Banco Itaú, o maior banco privado do Brasil), prometeu na sua plataforma, que caso fosse eleita, iria fazer passar uma lei garantindo a "autonomia" do Banco Central; isto é, garantindo o controlo bancário privado.

Marina tenciona dar aos banqueiros os poderes de decisão que pertencem à Presidente e ao Congresso Nacional, sobre assuntos que têm um efeito directo "sobre a sua vida e de sua família", tais como "os juros que você paga, seu emprego, preços e até salários", ripostou Rousseff numa animada entrevista ao programa Bom Dia Brasil da TV Globo emitida a 22 de Setembro.

Os seus horrorizados anfitriões da Globo acusaram-na de "assustar as pessoas"; a TV Globo, afinal de contas, é detida por três multimilionários da família Marinho, que estão no centro das operações da WWF no Brasil.

A promessa de Marina de tornar o Banco Central "independente" iria tornar esse banco no "quarto poder" do governo, respondeu Dilma. A Presidente chamou a atenção para o facto de que Marina também promete reduzir o papel dos grandes bancos públicos do Brasil. Como iremos então financiar infra-estrutura no Brasil?, perguntou Dilma. Os bancos públicos do Brasil subsidiam taxas; a taxas de mercado ninguém iria construir infra-estrutura no Brasil. A habitação e a agricultura têm do mesmo modo beneficiado.

O FT queixou-se do facto de um anúncio de campanha de Dilma usar uma cena de um jantar fora de um filme de bandidos para atacar Marina por estar em conluio com os banqueiros criminosos; a revista Economist de Londres protestou dizendo que Dilma tinha magoado "a popular ex-activista ambientalista" ao dizer que a planeada autonomia do Banco Central de Marina iria "dar poder a banqueiros manhosos".

Duo Aécio e Fraga

Os britânicos reagruparam agora forças em torno de Aécio, que é tão fantoche dos britânicos quanto Marina, mas muito mais difícil de "vender". A 12 de Outubro, Aécio declarou que ele e Marina se tornaram "um corpo, um projecto", depois de ela o ter apoiado, quando ele prometeu cumprir as condicionantes dela de implementar uma "economia de baixo carbono" e outras medidas anticrescimento.

Mas os brasileiros conhecem bem o PSDB de Aécio: o país desintegrou-se sob a sua governança neoliberal, quando Fernando Henrique Cardoso era Presidente entre 1992 e 2002. Ainda mais, numa acção que demonstra a total falência da opção britânica no Brasil, Aécio anunciou em Agosto, que caso seja eleito, irá nomear Armínio Fraga como seu Ministro da Fazenda.

Fraga! O nome é sinónimo do carry trade internacional que devastou a economia do Brasil. No seu primeiro mandato como oficial do Banco Central em 1991-92, Fraga montou o mecanismo que permitiu ao capital de curta duração estrangeiro entrar na economia e abriu o mercado dos derivados do câmbio e da taxa de juro. Ele depois saiu para servir como director do [fundo de cobertura] Soros Fund Management, apenas para ir direito de lá para chefiar o Banco Central do Brasil em Fevereiro de 1999, onde imediatamente aumentou as taxas de juro para 45%(!) como a pedra angular da política hiperinflacionária de George Soros do "muro de dinheiro" para impedir que o Brasil mandasse abaixo o sistema financeiro global na altura. Ficou lá até 2002, quando saiu para fundar o seu próprio fundo de cobertura.

Aécio e Fraga prometem voltar à "ortodoxia económica", cortar no orçamento, baixar salários mínimos, impor um imposto IVA retrógrado, privatizar bens públicos, incluindo os bancos públicos e a companhia estatal petrolífera, Petrobras, e reduzir a regulação estatal dos preços, salários etc.

De mão dada com isto, está a declarada intenção de mudar a política externa do Brasil, abandonando os laços com a China e a Ásia, assim como os seus vizinhos sul-americanos, em favor de acordos de livre-comércio com uma Europa moribunda e com os Estados Unidos da América.

Aloízio Mercadante, o Ministro da Casa Civil de Dilma, sob licença para fazer campanha até à votação final, salientou numa entrevista exclusiva ao portal 247 na semana passada, que:

"As propostas de Aécio Neves conduzirão, na prática, ao enfraquecimento dos BRICS e do MERCOSUL. Na verdade, os BRICS nem sequer são mencionados em seus oito 'Compromissos/Propostas' de política comercial. Ou seja, o candidato ignora os esforços dos principais países emergentes para a criação de novos mecanismos de promoção do desenvolvimento e da estabilidade financeira, como o Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS e o Arranjo Contingente de Reservas (...) Hoje, o Brasil assume um protagonismo internacional sobre temas sociais e econômicos que é inédito em nossa história. É lamentável ver o debate sobre política externa ser permeado novamente por uma retórica conservadora, associada a uma visão subalterna do Brasil no cenário internacional".

Autoria e outros dados (tags, etc)

colocado por Fernando Negro às 10:31

Presidente e muitos outros líderes do PSB não apoiam Aécio Neves

20.10.14
O candidato presidencial brasileiro apoiado pela revista The Economist de Londres - que votou contra a política de aumento real do salário mínimo e que quer apontar como Ministro da Fazenda uma pessoa: de dupla nacionalidade brasileira e norte-americana; que já esteve numa lista de possíveis candidatos à liderança da Reserva Federal estadunidense; e que defende medidas que, eufemisticamente, chama de "impopulares" - não só não é apoiado por todos os militantes do PSB, como tem como seus adversários uma grande parte da liderança do mesmo, na qual se inclui o próprio Presidente do partido. E, podem ler mais sobre isto, na seguinte colocação, feita no sítio de campanha da actual Presidente Dilma Rousseff:

Presidente do PSB Anuncia Apoio a Dilma


Por: Equipe Dilma Rousseff - 12/10/2014

Presidente nacional e um dos fundadores do PSB, partido de Eduardo Campos que abrigou a candidatura de Marina Silva, Roberto Amaral veio a público fazer duras críticas à posição de lideranças do partido que decidiram aliar-se à candidatura de Aécio Neves, "jogando no lixo" a história e o legado do partido. "Ao aliar-se à candidatura Aécio Neves, o PSB traiu a luta de Eduardo Campos", criticou. Clique aqui para ler na íntegra a "Mensagem aos militantes do PSB e ao povo brasileiro".

Amaral, maior liderança do partido hoje, une-se assim às lideranças do PSB, por todo o Brasil que mobilizam-se para distanciar-se da candidatura de Aécio Neves. A deputada federal Luiza Erundina (PSB), que foi coordenadora da campanha de Marina no primeiro turno, deixou clara a insatisfação com algumas declarações de seu partido, oriundas da crise que, segunda ela, divide a legenda. "É vexatório declarar voto para uma candidatura conservadora", afirmou.

Por isso, muitas outras lideranças do partido concordam com ela e, por todo o Brasil, fazem questão de expressar seu apoio à candidatura de Dilma. Nesta sexta (10), foi a vez do PSB da Bahia anunciar seu apoio conjunto a Dilma. O mesmo já tinha acontecido com o PSB do Rio de Janeiro. No Rio Grande do Sul, estado do vice de Marina Beto Albuquerque, também houve debandada. O presidente do PSB no Amapá, senador João Capiberibe, contrariou a executiva nacional e votou a favor da aliança com Dilma. Na Paraíba, o governador Ricardo Coutinho (PSB), que disputa o segundo turno no Estado, também fez questão de subir ao palanque de Dilma e apoiar a reeleição da presidenta.

Marília Arraes, prima de Eduardo Campos e vereadora pelo PSB em Recife, também está com Dilma neste segundo turno. Em um post no Facebook, ela relembrou o histórico de esquerda e de lutas sociais do seu partido e do seu avô, o ex-governador Miguel Arraes. Clique AQUI para ler. Aliás, dez dos 13 governadores escolhidos pelo povo em primeiro turno também estão com Dilma. Assista aqui ao vídeo de apoio gravado por eles.

Rede

A Rede, partido que Marina tentou criar no ano passado, também rachou e considerou a proximidade com Aécio um "grave erro político".

Autoria e outros dados (tags, etc)

colocado por Fernando Negro às 00:21

Aécio Neves é também um fantoche da Monarquia Britânica (/NOM)

14.10.14

Coroa Britânica Derrotada na Primeira Volta das Eleições Brasileiras


6 de Outubro de 2014 [LaRouchePAC]

Os eleitores brasileiros derrotaram redondamente a operação de primeira escolha da Coroa Britânica para tirar o "B" dos BRICS na eleição presidencial deste mês no Domingo, quando a ambientalista brasileira favorita do Príncipe Filipe, a querida da Cidade de Londres Marina Silva, foi tirada da corrida na primeira volta. Silva ficou num distante terceiro lugar com apenas 21% dos votos, apesar dos melhores esforços de Londres e dos seus amigos "multimilionários verdes" brasileiros.

A Presidente incumbente Dilma Rousseff, comprometida em fortalecer a participação do Brasil na renascença global que está a tomar forma em torno do agrupamento BRICS, ganhou 41% dos votos na primeira volta e irá enfrentar Aécio Neves, o político ligado à família Rothschild que ganhou 34% dos votos, na corrida final de 26 de Outubro.

Nunca limitado a uma única operação, o império está apressadamente a reagrupar forças em torno de Aécio, que é igualmente um fantoche britânico. Marina, queixando-se de que não é uma "perdedora", deixou claro que tenciona dar o seu apoio a Aécio. Marina foi favorecida pelos criminosos de Londres-Wall Street da Coroa por uma razão, contudo. Nunca tendo sido eleita, a sua candidatura foi criada como a "nova face" para o velho e moribundo sistema económico, apelando, ao estilo de Obama, a desejos de "mudança".

Os brasileiros conhecem bem o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) de Aécio: o país desintegrou-se sob a sua governança entre 1992 e 2002. O que preocupa Londres, é que Dilma Rousseff derrotou Marina Silva, em particular, apontando os holofotes para os banqueiros criminosos que querem levar os brasileiros de volta para uma situação de fome. Mesmo antes de serem contados os votos no dia 5 de Outubro, a revista de Londres Economist queixou-se de que Dilma tinha magoado "a popular ex-activista ambientalista [Marina] (...) com integridade pessoal, as suas propostas muito sensatas e convencionais e promessa de uma nova política", dizendo que o plano de Marina de fazer passar legislação que tornasse o Banco Central independente de qualquer "interferência" governamental, iria "dar poder a banqueiros manhosos". O Financial Times da mesma maneira queixou-se de que Dilma estava a exibir anúncios de campanha que usavam uma cena de um jantar fora de um filme de baixo custo de bandidos para atacar Marina por estar em conluio com os banqueiros criminosos.

Aécio pode ser derrotado facilmente nesse palco! Pouco tempo antes da eleição, Aécio anunciou que se fosse eleito, nomearia Armínio Fraga como seu Ministro da Fazenda. Fraga! A acção expõe a total falência política e económica da opção britânica no Brasil. Fraga supervisionou a pior política de austeridade/privatização do último governo PSDB de Fernando Henrique Cardoso, como chefe do Banco Central do Brasil entre 1999 e 2002. Foi Fraga, um executivo do [fundo de cobertura] Quantum Fund de Soros na altura em que foi nomeado para chefiar o Banco Central do Brasil, quem supervisionou a política hiperinflacionária de Soros do "muro de dinheiro" para impedir que o Brasil mandasse abaixo o sistema financeiro global. E quando deixou esse cargo, fundou o seu próprio, enorme fundo de cobertura. Como tal, nas suas declarações pós-eleitorais ontem à noite, Dilma atacou exactamente as políticas que Aécio representa. Com este voto, "o povo brasileiro acaba de dizer que não quer os fantasmas do passado de volta, como recessão, arrocho, desemprego. E que novamente teremos disputa com PSDB, que governou apenas para um terço da população e esqueceu os mais necessitados. Eles quebraram o país três vezes, impuseram juros que chegaram a 45% (...) e jamais promoveram políticas de inclusão social e de redução da desigualdade". E tentaram privatizar as companhias petrolífera e eléctrica estatais, Petrobras e Furnas e os grandes bancos públicos do Brasil, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

Ela podia também ter dito verdadeiramente, que a eleição de 26 de Outubro é entre os BRICS e Soros.

Autoria e outros dados (tags, etc)

colocado por Fernando Negro às 17:48

Mais do Movimento LaRouche, sobre a próxima eleição brasileira

04.10.14

Eleição Brasileira, Uma Batalha pelos BRICS ou Sistema Transatlântico


24 de Setembro (LPAC) - A eleição presidencial de Outubro do Brasil irá decidir se o Brasil continua a desempenhar um papel em criar a nova ordem mundial com o resto das nações dos BRICS, ou se irá saltar de volta para o Titanic transatlântico, justamente na altura em que este se afunda. Dois candidatos, Marina Silva e Aécio Neves, insistem que o Brasil se deve afundar com o sistema transatlântico e estão determinados em derrotar a candidatura de reeleição da Presidente Dilma Rousseff, por estar ela empenhada em que o Brasil se desenvolva como parte da dinâmica BRICS. A Monarquia Britânica e a Cidade de Londres estão a apoiar Marina como a sua melhor aposta para tirar o Brasil dos BRICS e da explosão de desenvolvimento sul-americano associado em marcha.

"O Estados Unidos de Obama terá muita afinidade com o Brasil de Marina Silva", disse ao serviço de notícias EFE Maurício Rands, co-coordenador da plataforma de Marina conjuntamente com a multimilionária "Neca" Setúbal, a 19 de Setembro, apelando ao Brasil para se realinhar com os EUA de Obama. O programa de Marina pretende assinar acordos de livre-comércio à custa do bloco MERCOSUL na América do Sul, criticando especificamente a Argentina neste aspecto; relega os BRICS a uma linha, desvalorizando-os como um grupo "heterogéneo" que tem mais diferenças do que concordâncias; e ataca as relações de comércio do Brasil com a China. O antigo Presidente Fernando Henrique Cardoso, que tem sido controlado por George Soros desde a sua presidência dos anos 1990, do mesmo modo assegurou a Andrés Oppenheimer do Miami Herald a 17 de Setembro, que Marina iria acabar com a "cumplicidade do governo brasileiro com os delitos da Argentina" [sic] e focar-se em "inserir o Brasil" em negócios de comércio livre com o Ocidente.

A Presidente Dilma, que destacou o seu firme empenhamento nos BRICS e na integração sul-americana numa entrevista publicada pelo Pravda.ru a a 22 de Setembro, teve como alvo esta semana o sistema bancário imperial dentro do Brasil através do qual a Monarquia Britânica há muito que tem deixado o país estropiado através de taxas de juro usurárias que alimentaram o carry trade internacional que pilhou o Brasil.

Marina pretende dar aos "banqueiros" os poderes de decisão da Presidente e do Congresso Nacional sobre assuntos que têm um efeito directo "sobre a sua vida e de sua família", tais como "os juros que você paga, seu emprego, preços e até salários", ripostou a Presidente numa animada entrevista ao programa Bom Dia Brasil da TV Globo emitida a 22 de Setembro. Os seus anfitriões horrorizados da Globo acusaram-na de "colocar medo nas pessoas"; A TV Globo, afinal de contas, é propriedade de três multimilionários da família Marinho que estão no centro das operações da WWF do Príncipe Filipe no Brasil.

A Presidente Dilma respondeu apontando para o programa eleitoral de Marina, que promete tornar o Banco Central independente do governo. Isso iria tornar esse banco num "quarto poder" do governo, ripostou Dilma, acrescentando que Marina também promete reduzir o papel dos bancos públicos. Londres está furiosa que o Brasil tenha recusado privatizar os seus grandes bancos públicos, os quais, apesar da sua liderança cautelosa, têm proporcionado algum crédito nacional a taxas de juro mais baixas à economia doméstica.

Autoria e outros dados (tags, etc)

colocado por Fernando Negro às 06:12

Não é o governo brasileiro quem, ultimamente, paga as despesas com os estádios que são usados na Copa do Mundo FIFA de 2014

24.06.14

(O vídeo que eu incluí numa das colocações que fiz, no ano passado, sobre este assunto, já fazia uma breve referência a este facto. Mas, para que fique isto bem claro - e possam todos ter real consciência do quão manipulada é a propaganda que está por trás dos protestos contra a realização deste grande evento internacional, num país apostado em se desenvolver economicamente - aqui vão dois desmentidos, seguidos de um recente pronunciamento da Presidente Dilma Rousseff.)

Governo brasileiro desmente uso de dinheiro público em estádios da Copa


EFE | Rio de Janeiro 23 Jun 2013

O Governo desmentiu neste domingo ter usado recursos públicos na construção e reforma dos estádios que serão utilizados na Copa do Mundo de 2014, uma das causas dos grandes protestos que ocorrem no Brasil há duas semanas.

O Ministério dos Esportes esclareceu em comunicado que os recursos públicos utilizados nas obras foram parte de empréstimos que os responsáveis por cada um dos 12 estádios terão que devolver aos cofres públicos.

Os estádios que serão usados na Copa, incluindo os seis já inaugurados para a Copa das Confederações, pertecem aos governos regionais, como o caso do Maracanã, no Rio de Janeiro, e o Mané Garrincha, em Brasília, ou a empresas privadas.

Três dos 12 estádios pertencem a clubes de futebol: o Beira-Rio (Internacional), a Arena da Baixada (Atlético-PR) e o Itaquerão (Corinthians).

"Não há nenhum centavo no orçamento da União destinado à construção e reforma dos estádios para a Copa", afirma o comunicado.

Segundo o Ministério dos Esportes, o Governo se limitou a oferecer aos construtores dos estádios uma linha de crédito, através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com interesses, prazos e garantias bancárias normais.

O Governo admitiu que foram oferecidas algumas isenções fiscais para incentivar a construção e reforma dos estádios, mas que tal renúncia fiscal não pode ser considerada como uma despesa.

"As isenções fiscais não podem ser consideradas despesas porque servem para gerar empregos e incentivar o desenvolvimento econômico e social ao serem destinadas a diversos setores e projetos", afirma a nota, segundo a qual as obras com os seis estádios já concluídos geraram 24.500 empregos diretos.

Segundo o Ministério, os investimentos do Governo para a preparação do Mundial são dirigidos para obras de infraestrutura que melhorarão a vida dos moradores das cidades-sede, como sistemas de transporte, portos, aeroportos, segurança pública, energia, telecomunicações e estruturas turísticas.

O Governo acrescenta que a organização de grandes eventos esportivos constitui para o país "uma oportunidade para acelerar investimentos em infraestrutura e serviços que melhoram as cidades e a qualidade de vida da população".

Algumas das muitas manifestações que sacudiram o Brasil nas duas últimas semanas foram motivadas pelas supostas elevadas despesas do Governo na construção dos estádios.

Como foi o caso do protesto que neste domingo bloqueou um acesso ao estádio Castelão, em Fortaleza, antes da partida entre Espanha e Nigéria, e das duas que terminaram ontem em conflitos em Belo Horizonte e Salvador, onde também foram disputadas partidas pela Copa das Confederações.

Apesar de perderam intensidade desde quinta-feira, quando cerca de 1,2 milhões de brasileiros se mobilizaram, as manifestações continuam.

Nem o convite ao diálogo e a um pacto nacional para melhorar os serviços públicos feitos pela presidente Dilma Rousseff na sexta-feira e nem a redução das tarifas de transporte público nas maiores cidades, que era a reivindicação inicial dos manifestantes, convenceram os brasileiros a parar com as manifestações.

Os protestos começaram na semana passada em São Paulo, exclusivamente contra o aumento das tarifas de transporte público, mas ganharam outras reivindicações, como maiores investimentos na saúde e a educação, e críticas contra a corrupção e as elevadas despesas do Governo para organizar eventos como o Mundial.

 

***

 

Mundial traz benefícios sem tirar dinheiro de áreas sociais


Estudo da Escola Nacional de Formação do PT desmascara mitos e manipulações fabricados contra realização do evento no Brasil

12/05/2014 - 19h00 / Por Agência PT

Os gastos com os estádios para a #CopadasCopas foram pagos com financiamento do governo federal, aportes de estados e municípios e recursos privados. No caso do governo federal, portanto, não competem os gastos com saúde e educação, uma vez que estas políticas são financiadas com recursos do orçamento tirados de impostos, diferentemente dos empréstimos.

A constatação, feita pela Escola Nacional de Formação, do PT, desmonta um dos falsos mitos fabricados em torno da Copa do Mundo de 2014. Em minucioso estudo, a entidade levanta um conjunto de razões em defesa da competição e mostra porque o Brasil, não por acaso, conquistou nos quatro cantos do planeta o título de país do futebol.

O estudo serve também para desconstruir em definitivo as manipulações produzidas pela oposição e por setores da sociedade, seja por ignorância ou má fé. O mais absurdo deles é o de que o governo federal está jogando dinheiro fora com estádios, sem trazer benefícios à população. Nada mais falso.

Os benefícios são visíveis e imediatos. Entre eles: intensificação da exposição do Brasil ao mundo – a Copa será vista por metade da população do planeta. Houve aceleração de investimentos em infraestrutura, como em mobilidade urbana e aeroportos; ampliação do turismo doméstico e de estrangeiros no país; e amplo retorno financeiro desses empreendimentos.

Ao todo, o plano de investimentos nas cidades-sede da Copa totaliza 25,6 bilhões de reais. Quase 70% desse montante (17,6 bilhões de reais) representam investimentos em infraestrutura e políticas públicas, especialmente em mobilidade urbana (8 bilhões de reais), aeroportos (6,2 bilhões de reais), segurança (1,9 bilhão de reais) e portos (600 milhões de reais)

São investimentos, em sua maior parte, que ocorreriam independentemente da Copa, mas que foram por ela antecipados ou acelerados.

Outro mito desmontado é o de que o brasileiro não está nem aí para a Copa. Nada mais falso. O futebol, garante o estudo, “é parte fundamental da cultura brasileira e uma de suas mais elevadas expressões”. Não por acaso, o historiador Eric Robsbawm assim se pronunciou sobre a magia do brasileiro com a bola nos pés: “Quem, tendo visto a seleção brasileira em seus dias de glória, negará sua pretensão à condição de arte?”

Somos pentacampeões mundiais e sérios candidatos ao hexa. O estilo peculiar do escrete brasileiro, acrescenta o estudo, “transformou nossa seleção em ponto de referência de um futebol competitivo e, ao mesmo tempo, de alto nível estético”.

Veja, ponto-a-ponto, os benefícios da Copa mapeados pela Escola Nacional de Formação.

Por que trazer a Copa do Mundo para o Brasil?

Em primeiro lugar, porque o futebol é parte fundamental da cultura brasileira e uma de suas mais elevadas expressões.

Introduzido no país no final do século XIX por ingleses, rapidamente o futebol ganhou popularidade entre nós, ao ponto de identificarmos, ainda nas primeiras décadas do século passado, um jeito próprio brasileiro de jogar futebol: leve, misturado, criativo e plástico. No pós Segunda Guerra, com a organização do Mundial em 1950 e com os títulos de 1958, 1962 e 1970, o futebol brasileiro superou o que Nelson Rodrigues chamaria de “complexo de vira-latas” – a ideia de que o Brasil jamais daria certo. A seleção brasileira, então, alcançou a supremacia (confirmada em 1994 e 2002) no esporte coletivo mais assistido, praticado e admirado no mundo.

Eric Hobsbawm, um dos mais importantes historiadores ingleses, observou com propriedade a respeito do futebol brasileiro: “Quem, tendo visto a seleção brasileira em seus dias de glória, negará sua pretensão à condição de arte?” O estilo peculiar do escrete brasileiro transformou nossa seleção em ponto de referência de um futebol competitivo e, ao mesmo tempo, de alto nível estético. Com a possível exceção da música popular, nenhuma outra manifestação cultural brasileira atingiu tal padrão de excelência no cenário internacional.

Além do significado da Copa para a história e cultura brasileira, o torneio é um evento de grande porte internacional realizado nas cinco regiões do país, o que traz diversas oportunidades, tais como: intensificação da exposição do Brasil ao mundo, uma vez que a Copa deve ser vista por metade da população mundial; aceleração de investimentos em infraestrutura, como em mobilidade urbana, aeroportos etc.; ampliação do turismo doméstico e de estrangeiros no país; e amplo retorno financeiro.

Mas não era melhor investir em saúde e educação?

Ao todo, o plano de investimentos nas cidades-sede da Copa do Mundo do Brasil totaliza R$ 25,6 bilhões (portal da transparência da Copa, www.copa2014.gov.br).

Cerca de 69% deste total (17,6 bilhões) representam investimentos em infraestrutura e políticas públicas, especialmente em mobilidade urbana (R$ 8,0 bilhões investidos), aeroportos (R$ 6,2 bilhões), segurança (R$ 1,9 bilhão) e portos (R$ 0,6 bilhão). Ou seja, nestes casos a Copa contribuiu diretamente para acelerar investimentos associados ao bem-estar da população, bem como impulsionar a melhoria das políticas públicas. São investimentos, em sua maior parte, que deveriam ocorrer independentemente da Copa, mas que foram por ela antecipados ou acelerados.

Os outros 31% (R$ 8,0 bilhões) de despesas com o plano de investimentos para a Copa estão sendo destinados à construção e modernização de 12 estádios de futebol nas cidades-sede. Os gastos em estádios não ocorreriam sem a Copa, ao menos na dimensão e na velocidade com que foram feitos. Mas isso não quer dizer que comprometem os investimentos em educação e saúde ou que não tragam benefícios para além do torneio.

Em primeiro lugar, os gastos com os estádios foram pagos com financiamento do Governo Federal, recursos locais de Estados e Municípios, e recursos privados. No caso do Governo Federal, portanto, não competem com saúde e educação, uma vez que estas políticas são financiadas com recursos do orçamento oriundos de impostos pagos pelos contribuintes, diferentemente dos empréstimos. Ademais, além de não competirem com o orçamento, os empréstimos públicos voltam com juros para o Governo Federal. No caso dos Estados e Municípios que destinaram recursos próprios à construção/modernização de estádios, como no Rio de Janeiro ou em Brasília, é importante lembrar que por determinação legal, fiscalizada pelos Tribunais de Contas, são obrigados a destinar um percentual mínimo das receitas para educação e saúde; a construção de estádios não altera essa regra. Além disso, estádios como o novo Maracanã e o novo Mineirão, concedidos à iniciativa privada, gerarão receitas públicas ao longo do tempo que devem ressarcir grande parte das despesas com a modernização. Por fim, a reforma de estádios, como a do Beira Rio em Porto Alegre, também foi custeada com recursos privados; nestes casos, evidentemente, o investimento não compete com despesas públicas em saúde e educação.

Em resumo, além de não competirem com os gastos federais em saúde e educação, os investimentos em estádios, quando financiados com recursos públicos locais, não desobrigam Estados e Municípios de manterem e ampliarem suas despesas com educação e saúde.

Em segundo lugar, é preciso contextualizar melhor o real esforço representado pela modernização de estádios em uma economia de renda média como a brasileira. Não há dúvida de que R$ 8,0 bilhões não é pouco dinheiro, mas, por outro lado, está longe de consistir em esforço acima das capacidades do país. Por exemplo, entre 2010 e 2013, quando as obras para a modernização dos estádios se intensificaram, o produto total brasileiro (PIB) alcançou R$ 18,8 trilhões (segundo o IBGE), ou seja, o custo total dos estádios (R$ 8,0 bilhões) representou o equivalente a 0,04% do PIB do período. Outra comparação: considerando apenas os gastos públicos federais com educação e saúde entre 2010 e 2013, a contabilidade pública revela que somaram R$ 825,3 bilhões, ou cerca de 100 vezes o custo dos estádios.

Por fim, a construção dos novos estádios gerou empregos na construção civil, estimulou o setor nos últimos anos e potencialmente alavanca a chamada indústria do futebol brasileiro. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, o potencial de movimentação de recursos ligado ao futebol brasileiro chega a R$ 60,0 bilhões por ano com 2,1 milhões de empregos diretos e indiretos. Os novos estádios são peça chave deste potencial: tomando-se por base o Campeonato Brasileiro de 2013, os novos estádios modernizados atraíram público médio 88% maior do que o dos estádios antigos na mesma competição.

Mas, afinal, quanto e em quê estamos investindo para a Copa do Mundo?

Ao todo, o plano de investimentos nas cidades-sede da Copa do Mundo do Brasil totaliza R$ 25,6 bilhões (portal da transparência da Copa, www.copa2014.gov.br).

Cerca de 69% deste total (17,6 bilhões) representam investimentos em infraestrutura e políticas públicas. São investimentos públicos, estatais e privados acelerados pela Copa e diretamente associados ao bem-estar da população. A discriminação destes investimentos é apresentada a seguir:

- mobilidade urbana, 45 obras e R$ 8,0 bilhões investidos em novas vias urbanas, acessos a aeroportos, corredores de ônibus, estações de metrô, 13 Bus Rapid Transit (BRTs) e 2 Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs);

- aeroportos, ampliação de 81% na capacidade de recepção de passageiros nas cidades-sede com investimentos de R$ 6,2 bilhões;

- segurança, investimentos em integração de sistemas, em inteligência, nos pontos de entrada do país e em 14 Centros Integrados de Comando e Controle perfazendo um total de R$ 1,9 bilhão;

- portos, melhoria nos terminais de Fortaleza, Natal, Manaus, Recife e Salvador, e alinhamento do cais de Santos, totalizando R$ 587 milhões;

- telecomunicação, investimentos de R$ 400 milhões em expansão da rede de fibra ótica estatal (Telebras) e em modernização de procedimentos e fiscalização da Anatel;

- turismo, expansão da infraestrutura e investimento em qualificação através do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico (Pronatec Turismo) num total de R$ 196 milhões.

Os outros 31% (R$ 8,0 bilhões) de despesas com o plano de investimentos para a Copa estão sendo destinados à construção e modernização de 12 estádios de futebol nas cidades-sede. Os gastos com estádios foram realizados com financiamento do Governo Federal (R$ 3,9 bilhões do BNDES), com recursos de Estados e Municípios e com recursos privados. Os R$ 3,9 bilhões de financiamento do Governo Federal representaram 0,5% do total de desembolsos do BNDES entre 2010 e 2013, e voltarão com juros para o setor público.

Mas não é errado gastar dinheiro público em estádio de futebol?

Como visto acima, os gastos com estádios não envolvem apenas recursos públicos. O Governo Federal, por exemplo, não realizou despesas orçamentárias com estádios, apenas emprestou para Estados, Municípios e clubes responsáveis pelos estádios. Os recursos destes empréstimos voltarão, com juros, para o Governo Federal e não competem com o orçamento e com outras políticas públicas.

No caso dos Estados e Municípios que destinaram recursos próprios ou tomaram empréstimos para a construção/modernização de seus estádios, isto não os desobriga de manter e ampliar despesas com saúde e educação, por exemplo. Além disso, estádios como o novo Maracanã e o novo Mineirão, concedidos à iniciativa privada, gerarão receitas públicas ao longo do tempo que devem ressarcir parte das despesas com a modernização.

Já a reforma de estádios, como a do Beira Rio em Porto Alegre, também foi custeada com recursos privados; nestes casos, evidentemente, parte do investimento não compete com despesas públicas.

Em termos gerais, no curto prazo as obras nos estádios da Copa movimentaram a construção civil das cidades-sede do torneio e geraram emprego e renda. Do ponto de vista simbólico, preservam e modernizam parte do patrimônio cultural nacional. No médio e longo prazo, os novos estádios potencializam a chamada indústria do futebol no país, assim como grandes eventos culturais.

Por fim, uma abordagem mais pormenorizada da questão do dinheiro público nos estádios impõe análise caso a caso, incluindo considerações sobre as demandas das populações de cada uma das 12 cidades-sedes da Copa do Mundo, a importância de cada uma delas para o futebol regional e nacional, perspectivas de atração de eventos e novos investimentos a partir dos estádios etc.

Todos os estádios foram construídos ou reformados com dinheiro público?

Não. Como discutido acima, os gastos com os estádios foram pagos com financiamento do Governo Federal, recursos locais de Estados e Municípios, e recursos privados.

O Governo Federal, vale relembrar, não realizou despesas orçamentárias com estádios, apenas emprestou para Estados, Municípios e clubes responsáveis pelos estádios. Os recursos destes empréstimos voltarão, com juros, para o Governo Federal e não competem com outras políticas públicas federais.

De acordo com a Matriz de Responsabilidades da Copa, última versão divulgada em setembro de 2013, o financiamento da construção e reforma dos estádios da Copa se distribuiu da seguinte forma:

- financiamento federal previsto: R$ 3,91 bilhões;

- recursos previstos dos Governos Locais: R$ 3,95 bilhões;

- recursos previstos da iniciativa privada: R$ 0,13 bilhão.

Mas o Brasil vai ganhar o quê com a Copa, além da parte cultural?

A Copa do Mundo no Brasil mais do que se paga com a renda multiplicada e gerada a partir dos investimentos a ela associados.

Levantamento da Fundação de Estudos e Pesquisas Econômicas (FIPE), ligada à USP, estimou que a Copa das Confederações em 2013, com a presença de ¼ do número de seleções presentes na Copa do Mundo e com apenas 16 jogos (contra 64 da Copa do Mundo), acrescentou R$ 9,7 bilhões ao PIB. A expectativa é que a Copa do Mundo acrescente mais R$ 30,0 bilhões ao PIB, valor superior ao total de R$ 25,6 bilhões incluídos no plano de investimentos das cidades-sede e muito maior do que o gasto de R$ 8,0 bilhões com estádios.

Durante os 30 dias da Copa, a previsão é de que tenhamos a circulação de mais de 600 mil turistas estrangeiros pelo país, o dobro da África do Sul em 2010, e mais de 3 milhões de turistas nacionais. De acordo com a Embratur, o valor total movimentado pelo turismo durante a Copa deverá chegar a R$ 25,0 bilhões.

Por fim, ressalte-se que a maior parte dos investimentos (R$ 17,6 bilhões) é em infraestrutura para o país, como a reforma de portos, aeroportos, mobilidade urbana e desenvolvimento turístico. São obras que ficarão para o país depois que a Copa do Mundo acabar.

Da Redação da Agência PT de Notícias, com informações da Escola Nacional de Formação

 

***

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

colocado por Fernando Negro às 22:43

Alguns esclarecimentos sobre o que realmente se passa no Brasil

22.06.13
Tudo isto tem indícios de ser mais uma tentativa de "revolução colorida", das muitas que são feitas para desestabilizar países não alinhados com a NOM e substituir os seus governos. Mas, felizmente, é cada vez maior o número de pessoas que disto se começam a aperceber...

What is this, “companheiro”?



Recebi e copio aqui um texto da maior importância, que deve ser lido por todos os que ainda duvidam da presença de grupos organizados de provocadores e por gente contrária ao Brasil que se aproveita dos desejos generosos que movem os jovens que estão se manifestando em todo o Brasil.

Tem boi na linha. #changebrazil? Quais [são] seus interesses?

“Quanto mais pessoas colocarem pressão sobre o Brasil, mais rápido o Brasil terá que se dobrar”, diz porta-voz anônimo do movimento ChangeBrazil.

Nem tudo que está acontecendo parece ser espontâneo. Qualquer pessoa que já tenha trabalhado com planejamento de campanha publicitária, especialmente online, sabe que algo assim é possível. Não é tão diferente de planejar o lançamento de um filme ou turnê para o público jovem.

Há um movimento na internet, que surgiu no dia 14 de junho, voltado principalmente para jovens, chamado #changebrazil (surgiu assim mesmo, em inglês). Em português o nome do movimento é Muda Brasil. Esse movimento postou vídeos, aparentemente espontâneos, que foram vistos por mais de 1 milhão de pessoas, a maioria deles jovens (muitos secundaristas) que estão indo para as manifestações em clima de festa e máscara V de Vingança.

Na quinta-feira, dia 13 de junho a polícia de Geraldo Alckmin (PSDB)  reprimiu de forma violenta manifestantes do Movimento Passe Livre, cidadãos e jornalistas. Logo no dia seguinte a grande imprensa passou a defender o movimento e surgiu um vídeo, em inglês, com legendas em inglês, que se intitulava “Please Help us” (Por favor, nos ajude). O vídeo, com um narrador com visual rebelde (alguém sabe quem ele é?) que já foi visto por mais de 1 milhão e 300 mil pessoas, passa rapidamente sobre tarifa de ônibus, critica a mídia e estimula aos jovens o ódio contras os políticos, enaltece o STF e estimula quem ver o vídeo a espalhá-lo e debater o assunto na internet. Sugiro que quem não entende o clima da juventude no protesto ou que tem ilusões de que eles são de esquerda, o assista. http://youtu.be/AIBYEXLGdSg

O vídeo parece simples, mas a iluminação e fundo é profissional, foi feito em estúdio, e se prestar atenção, verá que o manifestante (alguém o conhece?) de inglês perfeito, está lendo um teleprompter. O vídeo é feito em inglês, mas a maioria dos comentários é de brasileiros. Não há acessos a estatísticas. O vídeo foi feito e visto provavelmente por brasileiros, jovens, de classe média e alta que falam inglês. Fala da Copa do Mundo (preste atenção: todos falarão). E termina dizendo que “o povo é mais forte que aqueles eleitos para governá-los”.

Que movimento pelo Passe Livre faria um vídeo em inglês? Quem é esse sujeito? Quem pagou essa produção, feita em estúdio com teleprompter? http://youtu.be/AIBYEXLGdSg

As dicas sobre quem ele é o que as pessoas que estão por trás disso querem estão no segundo vídeo, postado durante as manifestações de segunda-feira.  Este fala em português. Carregado de sotaque, celebra a tomada do Congresso Nacional por “protestantes” (sic). Esse vídeo foi menos visto, mas não pouco visto, são 66 mil pessoas. http://youtu.be/z-naoGBSX9Y Ele dá parabéns pela manifestação, pelas pessoas mostrarem que “amam” seu país. E segue para dar instruções. Cita as hashtags #changebrazil e o #brazilacordou. Diz que o público não pode se desconcentrar nisso pelo gol do Neymar, ou pelo BBB. Diz que não devem falar de outros assuntos. Mas ao mesmo tempo a mensagem é vazia além de “Muda Brasil”. Ele se refere sempre sobre o que acontece como isso. E no minuto 2:06 ele diz para as pessoas fazerem o material para o exterior porque “quanto mais pessoas colocarem pressão sobre o Brasil, mais rápido o Brasil terá que se dobrar”.

Que movimento é esse que quer mudar o Brasil fazendo ele se dobrar?

Ele mistura nas pautas do seu “movimento coisas que todos defendem, como contra a corrupção, e mais verbas para saúde e educação. Talvez por “coincidência” as mesmas pautas centrais, com a mesma linha de discurso foi postada em um vídeo suspostamente feito pelo grupo Anonymous justamente quando as tarifas iam baixar para propor novas causas. Ele já foi visto por 1 milhão e 400 mil pessoas. http://youtu.be/v5iSn76I2xs Importante lembrar que como os vídeos do Anonymous usam imagem padrão e voz falada por digitada pelo Google, e são postadas em contas do Youtube aleatórias qualquer um pode fazer um vídeo se dizendo Anonymous.

O nosso amigo de sotaque não é o único vídeo que veio de fora. Já ficou famoso o vídeo de uma menina bonitinha, Carla Dauden, uma brasileira que mora em Los Angeles, falando contra a Copa do Mundo. Na descrição do vídeo ela diz que tinha feito o vídeo antes dos protestos (talvez para justificar a produção apurada), mas postou no dia 17 de junho. Carla diz [que] mais de 2 milhões de pessoas o viram. De novo, em inglês com legendas. Pretensamente para o exterior, mas de novo a maioria dos comentários é brasileiro. Ou seja, são para jovens que falam inglês. Diz mentiras como que os custos do evento teriam sido 30 bilhões de dólares, o que parece que os estádios custaram isso. Quando na verdade os custos reais são 28 bilhões de dólares, a maior parte em obras de mobilidade urbana, não estádios – veja o vídeo aqui: http://youtu.be/ZApBgNQgKPU. Mas quem está checando acusações?

Prestem atenção. A soma de apenas esses 3 vídeos somente deu 5 milhões de visualizações no Youtube.

Dê uma busca por changebrazil ou Muda Brasil, o nome dos vídeos em português do “movimento” que quer dobrar o Brasil no Youtube, e descubra você mesmo. Será que está acontecendo um 1964 2.0?

Por Fernando Brito

***

Não há um “movimento” em disputa, mas uma multidão sequestrada por fascistas


Por Marco Aurélio Weissheimer

O que começou como uma grande mobilização social contra o aumento das passagens de ônibus e em defesa de um transporte público de qualidade está descambando a olhos vistos para um experimento social incontrolável com características fascistas que não podem mais ser desprezadas. A quem interessa uma massa disforme na rua, “contra tudo o que está aí”, sem representantes, que diz não ter direção, em confronto permanente com a polícia, infiltrada por grupos interessados em promover quebradeiras, saques, ataques a prédios públicos e privados, ataques contra sedes de partidos políticos e a militantes de partidos, sindicatos e outros movimentos sociais? Certamente não interessa à ainda frágil e imperfeita democracia brasileira. Frágil e imperfeita, mas uma democracia. Neste momento, não é demasiado lembrar o que isso significa.

Uma democracia, entre outras coisas, significa existência de partidos, de representantes eleitos pelo voto popular, do debate político como espaço de articulação e mediação das demandas da sociedade, do direito de livre expressão, de livre manifestação, de ir e vir. Na noite de quinta-feira, todos esses traços constitutivos da democracia foram ameaçados e atacados, de diversas formas, em várias cidades do país. Houve violência policial? Houve. Mas aconteceram muitas outras coisas, não menos graves e potencializadoras dessa violência: ataques e expulsão de militantes de esquerda das manifestações, ataques a sedes de partidos políticos, a instituições públicas. Uma imagem marcante dessa onda de irracionalidade: os focos de incêndio na sede do Itamaraty, em Brasília. Essa imagem basta para ilustrar a gravidade da situação.

Não foram apenas militantes do PT que foram agredidos e expulsos de manifestações. O mesmo se repetiu, em várias cidades do país, com militantes do PSOL, do PSTU, do MST e pessoas que representavam apenas a si mesmas e portavam alguma bandeira ou camiseta de seu partido ou organização. Em Porto Alegre, as sedes do PT e do PMDB foram atacadas. Em Recife, cerca de 200 pessoas foram expulsas da manifestação. Militantes do MST e de partidos apanharam. O prédio da prefeitura da cidade foi atacado. Militantes do MST também apanharam em São Paulo e no Rio de Janeiro, entre outras cidades. Em São Paulo, algumas dessas agressões foram feitas por pessoas armadas com facas. E quem promoveu todas essas agressões e ataques. Ninguém sabe ao certo, pois os agressores agiram sob o manto do anonimato propiciado pela multidão. Sabemos a identidade de quem apanhou, mas não de quem bateu.

Desde logo, cabe reconhecer que os dirigentes dos partidos, dos governos e dos meios de comunicação têm uma grande dose de responsabilidade pelo que está acontecendo. Temos aí dois fenômenos que se retroalimentam: o rebaixamento da política à esfera do pragmatismo mais rasteiro e a criminalização midiática da política que coloca tudo e todos no mesmo saco, ocultando da população benefícios diários que são resultados de políticas públicas de qualidade que ajudam a vida das pessoas. Há uma grande dose de responsabilidade a ser compartilhada por todos esses agentes. A eternamente adiada Reforma Política não pode mais esperar. Em um momento grave e difícil da história do país, o Congresso Nacional não está em funcionando. É sintomático não ter ocorrido a nenhum dos nossos representantes eleitos pelo voto convocar uma sessão extraordinária ou algo do tipo para conversar sobre o que está acontecendo.

Dito isso, é preciso ter clareza que todos esses problemas só poderão ser resolvidos com mais democracia e não com menos. O rebaixamento da política à esfera do pragmatismo rasteiro exige partidos melhores e um voto mais esclarecido. A criminalização da política, dos partidos, sindicatos e movimentos sociais exige meios de comunicação mais responsáveis e menos comprometidos com grandes interesses privados. Não são apenas “os partidos” e “os políticos” que estão sendo confrontados nas ruas. É a institucionalidade brasileira como um todo e os meios de comunicação são parte indissociável dessa institucionalidade. Não é a toa que jornalistas, equipamentos e prédios de meios de comunicação estão sendo alvos de ataques também. Mas não teremos meios de comunicação melhores agredindo jornalistas, incendiando veículos de emissoras ou atacando prédios de empresas jornalísticas.

Uma certa onda de irracionalidade atravessa esse conjunto de ameaças e agressões, afetando inclusive militantes, dirigentes políticos e ativistas sociais experimentados que demoraram para perceber o monstro informe que estava se formando. E muitos ainda não perceberam. Após as primeiras grandes manifestações que começaram a pipocar por todo o país, alimentou-se a ilusão de que havia um “movimento em disputa” nas ruas. O que aconteceu na noite de quinta-feira mostra claramente que não há “um movimento” a ser disputado. O que há é uma multidão disforme e descontrolada, arrastando-se pelas ruas e tendo alvos bem definidos: instituições públicas, prédios públicos, equipamentos públicos, sedes de partidos, jornalistas, meios de comunicação. Os militantes e ativistas de organizações que tentaram começar a fazer essa disputa na noite de quinta foram repelidos, expelidos e agredidos. Talvez isso ajude a clarear as mentes e a desarmar um pouco os espíritos para o que está acontecendo.

Não é apenas a democracia, de modo geral, que está sob ameaça. Há algo chamado luta de classes, que muita gente jura que não existe, que está em curso. Não é à toa que militantes do PT, do PSOL, do PSTU, do MST e de outras organizações de esquerda apanharam e foram expulsos de diversas manifestações ontem. Com todas as suas imperfeições, erros, limites e contradições, o ciclo de governos da última década e em outros países da América Latina provocou muitas mudanças na estrutura de poder. Não provocou todas as necessárias e esse é, aliás, um dos fatores que alimentam a explosão social atual. Mas muitos interesses de classe foram contrariados e esses interesses não desistiram de retornar ao poder plenamente. Tem diante de si uma oportunidade de ouro.

Como jornalista, militante político de esquerda e cidadão, já firmei uma convicção a respeito do que está acontecendo. Uma multidão cuja direção (rumo) passou a ser atacar instituições públicas, sem representantes, infiltrada por grupos de extrema-direita, que rejeita partidos políticos e hostiliza manifestantes de esquerda, não só não me representa como passa a ser algo a ser combatido politicamente. Ou alguém acha que setores das forças armadas e da direita brasileira estão assistindo a tudo isso de braços cruzados?

***

Seguir lutando e rejeitar as manobras golpistas da direita


[Portal Vermelho]

Os acontecimentos da última quinta-feira (20) mostram que tendências contraditórias estão presentes na grande onda de movimentações populares em todo o país. É preciso refletir sobre elas. O movimento popular tem na experiência atual um manancial de ensinamentos para orientar-se corretamente e resguardar-se de atuar como massa de manobra da direita golpista.

Em mais de 100 cidades, dentre elas 25 das 26 capitais, realizaram-se manifestações de massas que mobilizaram mais de um milhão de pessoas. Um movimento cívico, popular, combativo, jovial, irreverente e – pela orientação dos seus organizadores e vontade da maioria dos participantes – pacífico. Mas a direita deu passos importantes na instrumentalização dos protestos e na tentativa de desviá-los para outras finalidades.

As manifestações foram infiltradas por provocadores que realizaram atos violentos e assumiram bandeiras políticas conservadoras. A transformação da luta democrática e social em um cenário de caos e desordem só favorece as forças da direita golpista.

Os atos e passeatas tinham como eixo, desde o seu início há duas semanas, a luta pela redução das tarifas do transporte urbano ou por sua gratuidade total. Num quadro em que esse transporte é caro e de péssima qualidade, em cidades de trânsito congestionado, a reivindicação calou fundo e alcançou enorme adesão popular.

Ao mesmo tempo, em face dos flagrantes contrastes e desigualdades sociais nos grandes centros urbanos, que mais se assemelham a caóticos aglomerados de pessoas do que a cidades humanas e organizadas, a reivindicação em torno da questão dos transportes logo extravasou para outros temas igualmente sensíveis.

Inicialmente incompreendido pelas autoridades que alternaram seu comportamento entre a soberba e a repressão, o movimento transformou-se em gigantesco pronunciamento da população na luta por direitos sociais. Mesmo o protesto contra os gastos com a construção de estádios e outros equipamentos para a Copa do Mundo de 2014 – embora equivocado na sua concepção, mal orientado e propenso à violência – também era compreensível.

Ainda que com plataforma difusa, as manifestações significaram um avanço na consciência política da população. Com o anúncio da redução das tarifas dos transportes em dezenas de cidades – principalmente em São Paulo, onde os protestos tiveram origem – é insofismável que a luta foi vitoriosa e é correto reiterar: lutar é um direito sagrado do povo brasileiro, conquistado a duras penas. Sempre vale a pena lutar.

O sentido das manifestações desta quinta-feira era precisamente o de comemorar a vitória e preparar-se para novos passos.

Mas por incitação da mídia a serviço de interesses antipopulares e antinacionais e de centros de poder que se mantêm ocultos e atuando por meio de algumas redes sociais na internet, as manifestações, em alguns casos, foram infiltradas por grupos de provocadores, que recorrem à violência, aterrorizando a população, depredando ou tentando invadir sedes de ministérios, prefeituras, bancos e estabelecimentos comerciais.

Agrega-se a isto uma deriva conservadora que se expressa por meio do lançamento de palavras de ordem que visam claramente à desestabilização política do país, ao isolamento das forças de esquerda e à derrocada do governo. Pescando nas águas turvas da confusão política e ideológica provocada pelos meios de comunicação, fomentam a rejeição aos partidos políticos e ao governo, criando um ambiente propício a aventuras golpistas de cariz fascista.

A pressão para transformar as manifestações em protestos de caráter conservador contra o governo e os partidos de esquerda foi de tal ordem que o próprio Movimento do Passe Livre, que até então liderava as manifestações e se reivindica como “autônomo, anticapitalista, horizontal e apartidário”, retirou-se do ato realizado na Avenida Paulista. Militantes do MPL começaram a perceber as características conservadoras presentes em alguns discursos, palavras de ordem e sobretudo na hostilização a outras organizações do movimento social e a partidos políticos de esquerda.

O que poderia ser uma festa cívica e democrática está sendo transformado em crise política e social. Mobilizar o povo em atos organizados para exigir direitos e reformas estruturais no país é algo indispensável e tarefa dos partidos de esquerda e das organizações do movimento social, que corresponde aos interesses e aspirações do povo brasileiro a uma vida digna, à democracia ampla e participativa e ao progresso social.

Deturpar estas aspirações, transformando justos protestos sociais em ações violentas para atirar o país no caos, serve a interesses antinacionais. O povo quer avançar na construção da democracia. Continuará na luta por seus direitos e rejeitará as manobras golpistas da direita.

***

Autoria e outros dados (tags, etc)