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E assim se cala esta amostra de povo

30.06.17

Um sistema de emergência (montado por mais uma "parceria público-privada") que, repetidamente, não funciona e que tem agora como resultado (visível) uma grande tragédia.
Um grande falhanço (e consciente negligência) da parte do poder estabelecido, que resulta num grande número de mortos.
Uma onda de revolta, por parte de quem é vítima (de facto e potencial) de tudo disto?
Não, nada disso... Pois, o povo é manso, fácil de enganar e distrai-se com outras coisas.
Produz-se um relatório, da parte da própria entidade que falhou, a dizer que nada de grave se passou e publicam-se também os resultados de um suposto estudo, feito pelo próprio governo por isto responsável, a dizer que a população continua a apoiar o governo.
(Tudo análises de inquestionáveis imparcialidade e veracidade, reportadas por uma imprensa que sempre estará longe de chamar a atenção para o ridículo destas publicações...)
Do lado "racional" estão as coisas "resolvidas". Passemos então ao lado emocional.
Toca a emitir reportagem atrás de reportagem televisiva, de estilo semelhante a um "docudrama", a focar-se no lado emocional da tragédia - includindo a grande onda de compaixão e solidariedade que esta catástrofe gerou - para, deste modo, calar o (muito indesejável) lado racional (que estaria realmente interessado em saber quem, e o que é, que falhou, para apurar responsabilidades) e toca a organizar também um grande concerto musical, que inclua uma grande operação de angariação de fundos, para ser transmitido por todos os principais canais televisivos nacionais, a apelar repetidamente ao cultivo deste lado emocional, para que se sobreponha a tudo o resto.
Pronto, já está. Os portugueses são um povo muito solidário e devem sentir-se muito bem por isso.
Continuem a roubar e a enganar o povo, nem que daí venham mais mortes.
Venham as próximas tragédias.

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colocado por Fernando Negro às 07:46



5 comentários

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De Fernando Negro a 01.07.2017 às 06:48

Sim, o acompanhamento musical nas reportagens, então, é demais.

E, é tal como diz. Em qualquer país verdadeiramente civilizado, no mínimo, os responsáveis máximos por isto teriam-se demitido - não falando de possíveis processos criminais, por responsabilidade indirecta nas mortes ocorridas.

Se uma equipa hospitalar tomar decisões que levem à morte de uma pessoa, inquestionavelmente, os seus líderes são julgados. Se, em Portugal, um político fizer a mesma coisa, nada acontece.

O que tudo isto me faz lembrar, é quando o Correia de Campos foi Ministro da Saúde.

Começou a encerrar unidades hospitalares no interior do país e as pessoas fizeram manifestações, a avisar que iriam morrer pessoas por causa disso. Resultado, mais que esperado? Morreram pessoas por causa disto.

E, foi tal Ministro condenado pela sua decisão (obviamente, consciente das consequências que iria ter)? Nada disso. Anda por aí a passear, sem quaisquer problemas de consciência e com aquele seu ar de cínico.

Calaram-se os familiares das vítimas - e as que só não o foram porque não calhou.

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